A indústria de Santa Catarina manifestou formalmente sua preocupação com o debate sobre o fim da jornada de trabalho na escala 6×1, que ganha força no cenário político nacional. Segundo posicionamento do setor produtivo catarinense, a proposta, da forma como vem sendo discutida, carece de fundamentação técnica e pode comprometer a sustentabilidade dos negócios e a manutenção dos empregos formais. O setor argumenta que a mudança ignora premissas de produtividade e a realidade competitiva do mercado global, sendo impulsionada por interesses de cunho eleitoral.
Impacto financeiro e riscos ao mercado de trabalho
De acordo com projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI), citadas no documento do setor, a extinção compulsória da escala atual teria um impacto financeiro estimado em R$ 179 bilhões para o setor produtivo e de R$ 150 bilhões para o setor público. Estima-se que o custo do emprego possa sofrer uma elevação de 25%.
O setor produtivo alerta que esse aumento súbito de custos pode gerar um efeito cascata na economia, resultando na alta de preços ao consumidor final, aumento da informalidade e, eventualmente, desemprego. “Não se pode misturar uma mudança de tamanha magnitude estrutural com o oportunismo de quem busca popularidade digital ou dividendos nas urnas”, afirma o comunicado da indústria, reforçando que o crescimento sustentável do país deve ser priorizado em detrimento da pressa eleitoral.
A realidade da produção em Santa Catarina
Em Santa Catarina, o cenário operacional é composto majoritariamente por jornadas completas. Dados do setor indicam que 86% dos trabalhadores industriais no estado — o equivalente a 806 mil pessoas — operam atualmente no regime de 44 horas semanais. A indústria catarinense esclarece que essa configuração não é uma escolha arbitrária, mas um reflexo das condições competitivas do mercado.
O setor defende que a redução da jornada, sem a correspondente redução de salários, só é tecnicamente viável sob duas condições: o aumento real da produtividade e a utilização da livre negociação. Conforme o posicionamento oficial, a Reforma Trabalhista de 2017 já disponibiliza os mecanismos necessários para que empregadores e empregados ajustem suas escalas de acordo com a tecnologia e a escala de cada operação.
Competitividade internacional e o cenário global
A análise da indústria também destaca o contexto de “guerra comercial e protecionismo” no cenário internacional. Países com forte presença industrial e concorrentes diretos do Brasil mantêm jornadas iguais ou superiores. Exemplos citados incluem o México e gigantes asiáticos, que operam com 48 horas semanais ou mais. Na Europa, nações como Alemanha, Dinamarca, Irlanda e Holanda permitem jornadas de até 48 horas, enquanto a Suíça possibilita até 50 horas.
O setor produtivo catarinense defende que ignorar esses parâmetros internacionais pode condenar a competitividade da indústria nacional. Por esse motivo, as entidades solicitam lucidez e responsabilidade técnica aos parlamentares no Congresso Nacional. O apelo final é para que o debate seja conduzido sem o que chamam de “açodamento”, buscando esclarecer trabalhadores e a opinião pública sobre as implicações reais de uma alteração na legislação trabalhista brasileira.












