A indústria de Santa Catarina encerrou o ano de 2025 com uma expansão de 3,2% em sua produção, consolidando um desempenho superior à média brasileira, que registrou recuo de 0,2% no mesmo período. Os dados, divulgados nesta terça-feira (10) pelo IBGE através da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), foram analisados pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), que aponta a diversificação produtiva como o principal fator de resistência frente ao cenário econômico adverso.
“O desempenho, apesar de positivo, mostra desaceleração da indústria, motivada pela elevada taxa de juros, pelo consumo doméstico mais contido e também pelos efeitos da redução das exportações para parceiros importantes, como Estados Unidos e China”, explica o presidente da FIESC, Gilberto Seleme. Conforme o levantamento da entidade, embora o resultado geral seja de crescimento, dez dos 13 setores analisados apresentam redução no ritmo de expansão.
Análise dos setores e fatores de crescimento
De acordo com o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, a manutenção do crescimento em território catarinense foi sustentada pela presença de segmentos menos sensíveis aos ciclos econômicos e pelo aquecimento da construção civil. O setor de produtos de metal liderou as altas com 10,8%, impulsionado pela usinagem e pela demanda por estruturas metálicas em obras de infraestrutura e edificações.
A dinâmica da construção civil também gerou impactos positivos em cadeias produtivas correlatas. “A construção ainda impactou a fabricação de minerais não metálicos, que cresceu 5,1%, com destaque para a cerâmica de revestimento. Esse encadeamento produtivo também favoreceu os setores de coloríficos, químicos e tintas, contribuindo para o crescimento da indústria química, de 3,4%”, detalha Bittencourt. No segmento de bens de consumo, a indústria de alimentos registrou alta de 5,9%, favorecida pela diversificação de destinos internacionais.
Desempenho de máquinas, equipamentos e retrações
A fabricação de máquinas e materiais elétricos apresentou avanço de 7,2%, enquanto o setor de máquinas e equipamentos cresceu 6,3%. Segundo a FIESC, esses números foram estimulados pelo programa federal de depreciação acelerada e pelo bom desempenho da safra agrícola, que demanda maquinário especializado.
Por outro lado, o cenário global e tarifário prejudicou segmentos específicos. A produção de madeira declinou 4,5% e a de móveis recuou 2,9%, resultados atribuídos diretamente às novas tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos. O setor de veículos automotores, reboques e carrocerias também fechou o ano em queda, registrando retração de 3,6%.
Projeções e expectativas para 2026
Para o ano de 2026, a FIESC projeta um crescimento moderado de 2,06% para a produção industrial catarinense. A estimativa leva em conta que os reflexos de uma possível redução na taxa Selic não ocorrem de forma imediata na atividade produtiva, exigindo cautela no planejamento das indústrias para o primeiro semestre.
A perspectiva de melhora está concentrada na metade final do ano. “No segundo semestre, a expectativa é de que o aumento da renda disponível das famílias e a redução da SELIC contribuam para o aumento do consumo no mercado interno, impactando inclusive setores mais dependentes de crédito, como o máquinas e equipamentos”, conclui Pablo Bittencourt.












