PolíticaJanela partidária muda bancadas no Rio Grande do Sul

Janela partidária muda bancadas no Rio Grande do Sul

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) registrou a migração de 13 deputados estaduais entre os dias 5 de março e 3 de abril, período em que a legislação permitiu a troca de legenda sem a perda do mandato. O movimento, conhecido como janela partidária, teve como objetivo a reorganização das forças políticas para as eleições de outubro e resultou na ascensão do PSD como a segunda maior bancada do parlamento gaúcho, além da extinção da representação de partidos como o PSDB, PCdoB e PRD na Casa. Conforme informações do Departamento de Assessoramento Legislativo, os dados consolidam o cenário partidário para o pleito deste ano.

PSD se torna a segunda maior força do legislativo

O PSD foi a legenda que apresentou o crescimento mais expressivo durante o período de trocas. O partido, que iniciou a atual legislatura com apenas um representante, passou a contar com oito parlamentares. De acordo com os registros oficiais da Agência de Notícias ALRS, a sigla recebeu a filiação dos deputados Delegada Nadine, Professor Bonatto, Pedro Pereira e Neri, o Carteiro — todos egressos do PSDB.

Além deles, Frederico Antunes e Ernani Polo (ex-PP), Aloísio Classmann (ex-União Brasil) e Elton Weber (ex-PSB) também optaram pela legenda escolhida pelo governador Eduardo Leite. É importante destacar que o deputado Professor Bonatto já havia oficializado sua saída do PSDB em 3 de fevereiro, antes mesmo da abertura formal do prazo legal.

Extinção de bancadas e perdas no PSDB

A janela partidária resultou no fim da representação de três partidos na Assembleia. O PSDB, que possuía cinco deputados no início da legislatura, perdeu todos os seus titulares. Enquanto quatro migraram para o PSD, o deputado Kaká D’Ávila optou pelo Progressistas (PP). O fenômeno de esvaziamento também atingiu o PCdoB e o PRD.

A bancada do PRD deixou de existir com a transferência de Elizandro Sabino para o Republicanos. No caso do PSB, a manutenção da representação na Casa foi garantida pela filiação da deputada Bruna Rodrigues, compensando a saída de Elton Weber.

Impacto nas demais legendas e liderança do PT

O Partido dos Trabalhadores (PT) permanece como a maior bancada do parlamento gaúcho, com 11 deputados, não tendo registrado alterações em seus quadros durante o período. O Progressistas (PP) consolidou-se como a terceira força, somando sete parlamentares após o ingresso de Gaúcho da Geral (ex-PSD) e Kaká D’Ávila.

Outras siglas que ampliaram ou mantiveram suas estruturas incluem:

Crescimento e estabilidade

O Republicanos avançou para seis deputados com a chegada de Elizandro Sabino, igualando-se em tamanho ao MDB, que permaneceu estável. O PDT retornou ao patamar de cinco parlamentares com a volta de Dr. Thiago Duarte (ex-União Brasil), mesmo número registrado pelo PL, que recebeu o Professor Claudio Branchieri (ex-Podemos). O Podemos, por sua vez, conta agora com dois representantes. Legendas como PSOL (2) e Novo (1) não sofreram modificações.

Regras e prazos da legislação eleitoral

O período de 30 dias para as trocas partidárias é fundamentado no artigo 22-A da Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/1995). O mecanismo permite que ocupantes de cargos legislativos mudem de agremiação em anos de eleição, sete meses antes do pleito, sem incorrer em infidelidade partidária. Em 2026, o primeiro turno das eleições está agendado para o dia 4 de outubro.

A nova configuração das bancadas na Assembleia Legislativa reflete as estratégias partidárias para a disputa eleitoral e altera a correlação de forças nas comissões e nas votações em plenário para o restante do ano legislativo.

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