A sensação de carregar uma mochila pesada, cheia de materiais que sobrecarregam as costas e dificultam o caminhar, serve como uma metáfora perfeita para o que muitos jovens sentem em relação às suas emoções. Foi com essa reflexão que as estudantes Maria Rosa, Maria Clara, Brenda Oliveira e Laisa Zanatta, do segundo ano do ensino médio da Escola Jovem, em Sombrio, ocuparam os microfones da Rádio 102.9 Amorim FM. Na manhã desta quarta-feira, o grupo debateu a urgência de olhar para a saúde mental não como um tabu, mas como uma necessidade básica de sobrevivência em um mundo cada vez mais acelerado.
O impacto do mundo acelerado no corpo e na mente
Para as estudantes, a saúde mental é o motor que conduz todas as outras funções do corpo. Segundo Maria Rosa, de 16 anos, vivemos em um cenário de muita cobrança e comparação, especialmente potencializado pelo uso das redes sociais. Ela destaca que “cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do nosso corpo”, ressaltando que a mente deve ser tratada como a prioridade principal para que o restante do organismo funcione corretamente.
Brenda Oliveira reforça essa conexão ao explicar que o cérebro interpreta e envia respostas para cada ação física. Ela afirma que “o maior domínio do nosso corpo é a cabeça”, alertando que quadros de ansiedade não ficam restritos apenas aos pensamentos, mas manifestam sinais claros como tremores, medo e dificuldades para dormir. A estudante pontua que é essencial aprender a controlar as emoções para manter o domínio sobre a própria rotina.
Sinais de alerta e a importância da rede de apoio
Identificar quando a saúde emocional está comprometida é um dos maiores desafios para adolescentes e seus responsáveis. Laisa Zanatta explica que é preciso estar atento a mudanças de comportamento simples, mas significativas. Segundo ela, “alguns sinais são a tristeza, a irritação, a falta de interesse em fazer coisas que antes tu fazia normal”, além da nítida falta de energia para enfrentar os compromissos diários.
Maria Clara observa que o estresse contínuo, muitas vezes provocado pelo acúmulo de funções entre escola e trabalho, pode ser o gatilho para problemas mais graves. Ela explica que “o estresse do dia a dia pode causar cansaço mental, irritação, ansiedade e até o começo de uma depressão”, afetando diretamente o apetite e o descanso. Para combater esses efeitos, as estudantes sugerem a adoção de hábitos de autocuidado. Maria Clara indica que “ter uma alimentação boa, dormir bem e praticar atividade física” são passos fundamentais para manter o equilíbrio.
A quebra de estigmas sobre o tratamento profissional
Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi a discussão sobre o preconceito que ainda envolve a busca por psicólogos. As jovens relataram que muitas famílias ainda associam a terapia a casos de “loucura”, o que impede muitos adolescentes de pedirem ajuda dentro de casa. Maria Rosa defende que buscar auxílio especializado não deve ser visto como uma debilidade, reforçando que “pedir ajuda não é fraqueza, é um ato de coragem e amor-próprio”.
Além do suporte profissional, a fé e o acolhimento familiar foram citados como portos seguros. Brenda Oliveira, que sonha em cursar psicologia, destacou que a espiritualidade ajuda a guiar o caminho e oferece um espaço onde o jovem pode se expressar sem julgamentos. Ela encerrou sua participação com um apelo aos seus pares: “Jovens de hoje em dia, cuidem de si, amem vocês próprios. Não deixem que o mundo desabe vocês, porque vocês têm que mostrar que são fortes”. A entrevista serviu como um lembrete de que, como disse Maria Rosa, “isso é uma fase, não é o fim da nossa história”.












