Jovens de 18 a 29 anos lideraram, em 2025, os desligamentos voluntários no mercado formal brasileiro, respondendo por quase metade das saídas por iniciativa própria, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O movimento tem sido associado ao chamado job hopping, comportamento marcado pela troca mais frequente de emprego em busca de crescimento profissional, propósito, flexibilidade e melhores condições de trabalho.
De acordo com levantamento do Ministério do Trabalho, profissionais de 18 a 24 anos permanecem, em média, apenas 12 meses no mesmo emprego. A tendência é observada principalmente entre integrantes da geração Z, formada por jovens que chegaram ao mercado em um contexto de maior valorização do equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Troca de emprego ganha força entre jovens
O termo job hopping pode ser traduzido como “salto de emprego” e descreve a prática de mudar de trabalho em intervalos mais curtos. Embora o comportamento não seja exclusivo dos mais jovens, ele aparece com mais força entre trabalhadores de 18 a 28 anos.
Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), por meio da Gerência de Comunicação, a busca por oportunidades com mais propósito, flexibilidade e perspectivas de crescimento ajuda a explicar a movimentação desses profissionais no mercado.
A mudança de comportamento também impõe novos desafios às empresas, que precisam adaptar estratégias de gestão, retenção e desenvolvimento de talentos para reduzir a rotatividade.
O que dizem especialistas em seleção
Rodrigo Dib, do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), afirmou à Folha de S.Paulo que a geração Z possui uma relação diferente com o trabalho e com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
“A geração Z está 24 horas por dia sendo estimulada a um outro tipo de vida. Assiste televisão, escolhe o momento que vê as coisas, pede comida. Não divide mais o que é trabalho e vida pessoal. O mercado tem que entender isso. E tratar essa geração do jeito que ela é, porque quem mais está sofrendo por isso é o próprio mercado.”
A avaliação aponta para a necessidade de empresas compreenderem melhor as expectativas dessa faixa etária, especialmente em relação a modelos de trabalho, comunicação interna, reconhecimento e perspectivas de carreira.
Empresas buscam formas de reter talentos
Entre as medidas que podem contribuir para a permanência de jovens profissionais estão planos de crescimento mais claros, políticas de flexibilidade, cuidado com a saúde mental, lideranças próximas e práticas de reconhecimento.
Planos de carreira bem definidos ajudam o trabalhador a visualizar possibilidades de desenvolvimento dentro da empresa. Já a flexibilidade, com horários adaptáveis e modelos híbridos, passou a ter maior peso na decisão de permanecer ou buscar outra oportunidade.
A saúde mental também tem influência direta na retenção. Ambientes com diálogo, escuta ativa e feedbacks frequentes tendem a fortalecer o vínculo entre jovens trabalhadores e organizações.
Mercado precisa se adaptar à nova geração
O avanço do job hopping indica uma mudança na relação entre trabalhadores e empresas. Para especialistas, a retenção de jovens passa menos pela permanência por obrigação e mais pela construção de vínculos baseados em crescimento, propósito e qualidade de vida.
Conforme a FIESC, o desafio do mercado é compreender esse novo perfil profissional e criar ambientes capazes de atender às expectativas dos jovens sem perder produtividade, planejamento e continuidade nas equipes.













