O Governo de Santa Catarina destinou mais de R$ 292 milhões em crédito para Microempreendedores Individuais (MEIs) de todas as regiões do estado entre os anos de 2023 e 2025. A iniciativa, realizada por meio do Programa Juro Zero, viabilizou 61 mil operações financeiras com o objetivo de estimular a atividade econômica e a geração de renda em território catarinense. Segundo dados oficiais da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), o volume de recursos representa um crescimento de 25% em comparação ao triênio anterior, compreendido entre 2020 e 2022.
O modelo de funcionamento do programa prevê que o Estado assuma integralmente os custos financeiros das operações. Na prática, o empreendedor contrata o crédito e, ao quitar as sete primeiras parcelas em dia, tem a oitava prestação — correspondente aos juros — paga pelo Governo do Estado. O limite por operação é de R$ 5 mil, com carência de 30 dias para o início dos pagamentos. “Todo mundo precisa começar de algum lugar. E o Juro Zero dá aquela força pro pequeno negócio deslanchar. O Governo de Santa Catarina é parceiro do empreendedor. A gente valoriza quem arregaça as mangas e faz acontecer”, destacou o governador Jorginho Mello.
Expansão do empreendedorismo e novos registros
A robustez dos investimentos acompanha o crescimento do setor no estado. Desde 2023, Santa Catarina registra um saldo positivo de 283 mil novos MEIs, resultado da abertura de 543 mil cadastros frente ao fechamento de 260 mil. Atualmente, o estado conta com aproximadamente 860 mil microempreendedores ativos, com forte concentração nos setores de comércio, transporte, indústria, construção civil e serviços.
Para o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Silvio Dreveck, o suporte financeiro é fundamental para consolidar novas ideias de negócio. “O catarinense é um povo empreendedor. Com o Programa Juro Zero, o Governo do Estado apoia principalmente as empresas que estão começando e têm potencial para crescer. São microempresas, mas com grandes empresários no comando”, afirma o secretário.
Impacto na manutenção de pequenos negócios
O acesso ao crédito, embora limitado ao teto de R$ 5 mil por contrato, é apontado por gestores financeiros como um divisor de águas para a sobrevivência das empresas iniciantes. De acordo com o presidente do Badesc, Ari Rabaiolli, o valor é frequentemente utilizado para a aquisição de equipamentos ou reforço de estoque. “Para muitos, R$ 5 mil parece pouco, mas às vezes esse valor faz a diferença entre continuar ou fechar as portas, comprar um equipamento ou reforçar o estoque. Temos histórias de clientes que começaram com o Juro Zero e hoje cresceram e se tornaram microempresas”, relata Rabaiolli.
Exemplo prático em Biguaçu
A eficácia do programa é ilustrada pela trajetória de Ana Paula Garcia Beumer, proprietária da Toda Linda Estética e Beleza, em Biguaçu. Após ser desligada de um emprego formal, a empreendedora utilizou o recurso, obtido via Banco do Empreendedor e Badesc, como capital de giro para seu estabelecimento. “O Programa Juro Zero me ajuda bastante, inclusive o atendimento é muito facilitado. O dinheiro é uma quantia pequena, mas ajuda bastante porque no começo do ano, quando as pessoas têm mais conta para pagar, dá aquela baixada no faturamento. Então ajuda bastante a gente que é empreendedor”, relata a massoterapeuta.
Ana Paula, que adquiriu o próprio espaço após anos trabalhando como funcionária, reforça a importância do incentivo para a manutenção dos serviços de estética e terapia que oferece. “Eu costumo dizer que a profissão me escolheu. Conheci este espaço como cliente e a antiga dona me incentivou e eu fiz o curso de massoterapeuta. Eu comecei a trabalhar aqui, já faz seis anos. Depois eu comprei o espaço e hoje sou eu que toco”, conta a empreendedora.
Ampliação do orçamento para 2025
Diante da demanda crescente e dos resultados apresentados, o Governo de Santa Catarina oficializou a ampliação da capacidade de atendimento do programa. A partir de 2025, o montante destinado ao subsídio do Juro Zero subiu de R$ 16 milhões para R$ 25 milhões anuais. A mudança foi estabelecida por meio de lei aprovada na Assembleia Legislativa e sancionada pelo Poder Executivo, permitindo que um número maior de empreendedores tenha acesso ao benefício e possa realizar novas contratações após a quitação dos débitos anteriores.











