Durante a cerimônia alusiva aos 90 anos da instituição do salário mínimo no Brasil, realizada nesta sexta-feira (16) no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o valor atual adotado no país ainda é insuficiente. O evento marcou a celebração da medida histórica, mas serviu de palco para críticas sobre a defasagem do poder de compra.
Em seu discurso, o presidente enfatizou que a celebração não era sobre o valor em si, mas sobre o legado histórico.
“Não estamos fazendo esse ato de apologia ao valor do salário mínimo. Porque o valor do salário mínimo é muito baixo no Brasil. Estamos fazendo apologia aqui à ideia de um presidente da República que, em 1936, criou a possibilidade de se estabelecer um salário que garantisse aos trabalhadores os direitos elementares.”
Segundo Lula, o montante pago atualmente não cobre necessidades básicas como moradia, alimentação, educação e o direito de ir e vir. “Desde que foi criado, o salário mínimo não preenche esses requisitos da intenção da lei”, completou o presidente na solenidade.
Novo valor e impacto econômico
Conforme dados reportados pela Agência Brasil, o novo salário mínimo de R$ 1.621 está em vigor desde 1º de janeiro deste ano. O reajuste representou um aumento de 6,79%, ou R$ 103, em relação ao valor anterior de R$ 1.518.
Estimativas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que esse aumento injetará cerca de R$ 81,7 bilhões na economia. A projeção leva em conta o impacto direto na renda das famílias, no consumo e na arrecadação tributária, mesmo diante de um cenário fiscal mais restritivo.
Entenda o cálculo do reajuste
A definição do novo valor foi confirmada após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que fechou em 4,18% no acumulado de 12 meses. A política de valorização do mínimo combina a inflação do período com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.
O IBGE revisou o PIB de 2024 para uma expansão de 3,4%. Contudo, devido às regras do arcabouço fiscal — mecanismo de controle de gastos públicos —, o ganho real acima da inflação foi limitado ao teto de 2,5%. Com a aplicação da fórmula e o arredondamento previsto em lei, chegou-se ao valor final de R$ 1.621.












