O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (2) que pretende anular um leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) realizado pela Petrobras, após o produto ter sido vendido às distribuidoras com valores até 100% superiores à tabela oficial. A declaração foi dada durante entrevista à TV Record Bahia. Segundo o presidente, a medida busca evitar impactos ao consumidor, especialmente à população de baixa renda.
De acordo com Lula, o leilão ocorreu contra a orientação do governo federal e da própria direção da Petrobras, que defendiam a manutenção dos preços do GLP. O presidente classificou o processo como irregular e afirmou que o governo vai rever e cancelar o certame para impedir que o aumento seja repassado à população.
Mesmo sendo produtor, o Brasil sofre influência do mercado internacional, especialmente em razão de conflitos no Oriente Médio, que pressionam os preços do petróleo. Nesse contexto, leilões com alto ágio têm sido utilizados como alternativa para ajustar valores internos sem alterar oficialmente a tabela da estatal, que permanece inalterada desde novembro de 2024.
Segundo a Agência Brasil, Lula também voltou a criticar o preço final do botijão de gás, destacando a diferença entre o valor de venda da Petrobras e o preço cobrado ao consumidor. Segundo ele, o custo elevado está concentrado na cadeia de distribuição. Como resposta, o governo federal implementou o programa Gás do Povo, voltado à oferta gratuita do botijão para famílias de baixa renda.
O presidente ainda abordou a alta dos combustíveis, atribuindo parte do aumento ao cenário internacional e reforçando que o governo busca evitar reajustes no diesel. Entre as medidas, está a previsão de uma medida provisória para subsidiar o combustível importado, com desconto estimado de R$ 1,20 por litro.
Além disso, Lula criticou a privatização da BR Distribuidora, realizada em 2019, e afirmou que a ausência de uma estatal no setor dificulta o controle de preços. O governo também estuda a recompra da Refinaria de Mataripe, na Bahia, privatizada em 2021, como forma de ampliar a produção nacional e reduzir a dependência de importações.
A Agência Brasil informou que entrou em contato com a Petrobras para esclarecer os detalhes do leilão e aguarda retorno.










