A partir de sábado (1º), maracujazeiros poderão iniciar o plantio da nova safra do maracujá, quando termina o vazio sanitário. A atividade estava proibida por decreto desde o dia 1º de julho. A medida proíbe cultivar ou implantar pomares, bem como manter ou permitir a presença de plantas vivas de maracujazeiro em qualquer fase de desenvolvimento, exceto mudas em cultivo protegido.
O objetivo é reduzir a incidência do vírus que causa o endurecimento dos frutos do maracujazeiro. “Esta foi uma demanda que veio do setor produtivo e garante que a cultura seja rentável ao longo dos anos. O vazio sanitário só traz vantagens ao controle da doença. Pedimos que todos respeitem para a saúde das lavouras de todos. Infelizmente alguns ainda insistem”, destaca o Gestor do Departamento Estadual de Defesa Sanitária Vegetal da Cidasc, Alexandre Mees.
Os produtores que tiveram plantas identificadas fora do período indicado foram autuados, vão pagar multa e tiveram a perda total, com a eliminação do pomar plantado fora de época. Santa Catarina tem, ao todo, dois mil hectares de plantação de maracujá, sendo que cerca de 80% fica no Sul do estado.
Quantidade de mudas
Segundo o Balanço Social da Epagri de 2018, a oferta de mudas de maracujá produzidas em ambiente protegido era de 1.150.000. Com os trabalhos realizados pela pesquisa e extensão da Epagri, juntamente com a CIDASC, estima-se que hoje a oferta ao setor produtivo seja de 2.000.000. Logo, considerando a área plantada no Estado de Santa Catarina, isto é, 2.200 ha, há um déficit em torno de 2.000.000 de mudas produzidas em ambiente protegido a serem oferecidas a cadeia produtiva.
O que é a virose?
Em Santa Catarina, o primeiro relato do endurecimento-dos-frutos-do-maracujazeiro (EFM) ocorreu em 2008, no Litoral Norte do Estado, no município de Araquari. Infelizmente, essa introdução da doença na região culminou com o declínio da produção de maracujá no município intitulado “Capital Estadual do Maracujá”, reduzindo a área cultivada para menos de 2,5% do cultivo de Santa Catarina. Na região Sul, os primeiros relatos da doença foram no município de São João do Sul/SC, em setembro de 2016.
A virose-do-endurecimento-dos-frutos-do-maracujazeiro (VEFM), é causada pelo vírus Cowpea aphid-borne mosaic virus (CAbMV). As principais formas de transmissão do EFM são através de mudas contaminadas, transmissão mecânica por instrumentos de corte utilizados durante a poda de inverno e, principalmente, por pulgões que realizam picadas de prova nas plantas de maracujazeiro contaminadas, levando assim o vírus de plantas doentes para plantas sadias.
No entanto, por se tratar de um vírus não existe um agrotóxico que promova a cura da planta com o seu uso. As principais formas de manejo e de convivência preconizadas ainda são o estabelecimento de um período de vazio sanitário sincronizado (erradicação sistemática dos pomares) e a produção de mudas em ambiente protegido (viveiros com telas antiafídeos).
Essas técnicas foram sugeridas aos produtores desde 2016, onde grande parte dos produtores as adotou por simples adesão, ou seja, sem necessidade de força de lei. Em torno de 5% dos produtores não adotavam a técnica sugeridas, deixando seus pomares para 2 anos.
Entretanto, por uma minoria de produtores, os ditos 5%, a cadeia produtiva do maracujazeiro cobrou o poder público para que atitudes fossem tomadas em prol da coletividade. O primeiro passo foi a aprovação do PL 0123/2018 que dispunha sobre a Defesa Sanitária Vegetal no Estado de Santa Catarina. O PL foi motivo de audiência pública no município de Sombrio.
A promulgação da Lei nº 17.825, de 12 de dezembro de 2019, que dispõe sobre a defesa sanitária vegetal no Estado de Santa Catarina, tornou possível atender as reivindicações da cadeia produtiva do maracujá.
Com a aguardada lei sancionada, coube à SAR/SC o estabelecimento do período de vazio sanitário para a cultura. A minuta da Portaria, elaborada por profissionais da Cidasc, Epagri e SAR/SC foi submetida, de forma inédita, à consulta pública através da Portaria SAR nº 02/2020, de 12 de fevereiro de 2020, oportunizando manifestação a todo o setor produtivo, que contou com 20 manifestações.
Em 12 de março de 2020 foi publicada a Portaria SAR/SC nº 06/2020, estabelecendo um “período de vazio sanitário para o cultivo do maracujazeiro (Passiflora spp.) em todo território catarinense, no período de 1º de julho a 31 de julho de cada ano”. Além disso, esta portaria estabelece também que “a partir de 1º de janeiro de 2021 a produção de mudas em cultivo protegido deverá ser realizada com tela antiafídeo de no mínimo 40 mesh”. A assinatura da portaria foi realizada em dia de campo, sobre a cultura do maracujá promovido pela Epagri, no município de Sombrio/SC.
Ou seja, o que era deixado de ser feito de forma espontânea pelos agricultores inconscientes das verdadeiras consequências da doença na região passou a ser cobrado com auxílio da lei.
Ao longo do período que compreende entre o primeiro diagnóstico da doença na região (setembro de 2016) e o início de 2020, a Epagri e a Cidasc atenderam 928 famílias produtoras de maracujá, especificamente no tema fitossanidade. Cada família, em média, foi atendida mais que três vezes pelas Empresas, em cerca de 1.100 ações de assistência técnica e extensão rural. Essas ações se materializam em visitas, oficinas, cursos, dias de campo, seminários, simpósios, dentre outros, que trabalharam questões técnicas de produção de mudas e enfrentamento da virose.