As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) reduziram a previsão da inflação oficial para 3,95% em 2026, conforme dados do boletim Focus divulgados nesta quarta-feira (18). De acordo com informações da Agência Brasil, o levantamento semanal, que consolida a expectativa do mercado para os principais indicadores econômicos, registrou a sexta queda consecutiva na estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano. A revisão mantém o índice dentro do intervalo de tolerância da meta estabelecida para o país.
Metas de inflação e cenário econômico
A projeção de 3,95% para o IPCA em 2026 está alinhada aos objetivos do Conselho Monetário Nacional (CMN), que definiu a meta central em 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite superior permitido é de 4,5%. Para os anos seguintes, os analistas preveem estabilidade, com estimativas de 3,8% para 2027 e de 3,5% para 2028 e 2029.
O desempenho atual ocorre após um acumulado de 4,44% em 2025, resultado que também ficou dentro da meta oficial. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação de janeiro fechou em 0,33%, pressionada principalmente pela alta nos preços da gasolina e da conta de energia elétrica.
Projeções para a taxa Selic e política monetária
Para controlar a variação de preços e atingir as metas, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros (Selic) como principal ferramenta. Atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa permanece no nível mais alto desde julho de 2006. No entanto, o colegiado indicou em comunicado que poderá iniciar um ciclo de redução na próxima reunião, em março, caso a inflação permaneça estável e o cenário econômico não apresente variações inesperadas.
A expectativa do mercado financeiro é que a Selic encerre 2026 em 12,25% ao ano. Para os períodos subsequentes, estima-se que a taxa caia para 10,5% em 2027, 10% em 2028 e atinja 9,5% ao ano em 2029. Quando a Selic é elevada, o crédito torna-se mais caro, o que desestimula o consumo e ajuda a conter a inflação; por outro lado, a redução dos juros tende a baratear o crédito e incentivar a produção e a atividade econômica.
Crescimento do PIB e cotação do dólar
Em relação à atividade produtiva, o boletim Focus manteve a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,8% para 2026 e 2027. Para 2028 e 2029, a previsão de expansão da economia brasileira subiu para 2% em ambos os anos. O resultado consolidado de 2025 será anunciado no dia 3 de março pelo IBGE, após o país ter registrado crescimento de 3,4% em 2024, o quarto ano consecutivo de alta.
No mercado de câmbio, as instituições financeiras projetam que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50. A mesma previsão é mantida para o fechamento de 2027, indicando uma perspectiva de estabilidade na moeda norte-americana frente ao real para os próximos dois anos.













