EconomiaMercados recuam antes de decisões sobre juros

Mercados recuam antes de decisões sobre juros

Dólar e Ibovespa registram queda nesta quarta-feira (16), enquanto investidores aguardam decisões do Copom e do Fed sobre as taxas de juros.

O mercado financeiro brasileiro opera em baixa nesta quarta-feira (16), diante da expectativa pelas decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Por volta das 11h50, o dólar recuava 0,03%, cotado a R$ 5,1528, enquanto o Ibovespa caía 0,36%, aos 185.829 pontos. A movimentação ocorre em meio à chamada “Superquarta”, quando os bancos centrais dos dois países divulgam suas decisões sobre juros.

No Brasil, o principal foco está no Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. A expectativa predominante no mercado é de um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, que passaria de 14% para 13,75% ao ano. Se confirmado, seria o quinto corte consecutivo e levaria a taxa ao menor nível desde 2025.

A decisão do Copom está prevista para depois do encerramento dos mercados.

Juros nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, investidores também aguardam a decisão do Federal Reserve (Fed). A maior parte do mercado trabalha com a possibilidade de uma elevação dos juros americanos, movimento que seria o primeiro aumento da taxa em mais de três anos.

A alta dos juros nos Estados Unidos pode afetar países emergentes, como o Brasil, ao estimular a transferência de recursos para ativos americanos. Esse movimento pode exercer pressão sobre o mercado acionário brasileiro e sobre o câmbio, aumentando a procura pela moeda norte-americana.

A política monetária americana também permanece sob atenção devido à trajetória da inflação. No fim de agosto, o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a instituição precisa avaliar se a inflação subjacente está avançando de forma consistente em direção à meta.

Inflação brasileira influencia expectativas

A possibilidade de redução da Selic ocorre em um cenário de desaceleração dos preços. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que o IPCA registrou queda de 0,32% em agosto, a maior retração mensal desde 2022.

O Boletim Focus divulgado nesta semana também apontou redução nas projeções do mercado para a inflação e para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

STF permanece no radar

Além das decisões dos bancos centrais, o ambiente político brasileiro também acompanha os desdobramentos do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Na terça-feira (15), o STF realizou uma sessão considerada histórica por discutir, pela primeira vez, a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo um integrante da própria Corte. A análise foi interrompida após um pedido de vista do ministro Flávio Dino, sem decisão sobre o mérito.

De acordo com relatório da Polícia Federal, Moraes e Vorcaro trocaram 52 mensagens entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, período que inclui a primeira prisão do ex-banqueiro. Segundo o relatório, as conversas envolveram pedidos de orientação jurídica, encontros e assuntos relacionados a investigações.

Até o momento da suspensão, o placar estava em 4 a 3 pela análise separada das condutas de Alexandre de Moraes, na relação com Vorcaro, e de André Mendonça, responsável pela relatoria do caso Master.

Bolsas internacionais

Em Wall Street, os principais índices operavam de forma mista perto das 11h50. O Dow Jones recuava 0,14%, enquanto o S&P 500 avançava 0,23% e o Nasdaq Composite subia 0,64%.

Na Europa, os principais mercados registravam alta. O DAX, da Alemanha, avançava 0,50%; o CAC-40, da França, subia 0,61%; e o FTSE 100, do Reino Unido, tinha alta de 0,29%.

Na Ásia, as bolsas chinesas encerraram o pregão em alta, impulsionadas principalmente pelas empresas de tecnologia. O SSEC, de Xangai, e o CSI300 subiram 0,7%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,19%.

Também fecharam em alta o Nikkei, do Japão, com valorização de 0,69%, e o Kospi, da Coreia do Sul, que subiu 1,37%.

Desempenho acumulado

Até o momento, o dólar acumula alta de 0,57% na semana, queda de 0,49% no mês e baixa de 6,09% no ano.

O Ibovespa registra queda de 0,38% na semana, alta de 5,12% no mês e valorização de 15,75% no ano.

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