Empresários e autoridades do setor cerâmico de Morro da Fumaça receberam, recentemente, um novo relatório de planejamento estratégico voltado ao Arranjo Produtivo Local (APL) de Cerâmica Vermelha, com o objetivo de garantir a longevidade e a competitividade do segmento para as próximas três décadas. O documento, elaborado por meio de uma cooperação técnica entre o Sindicato da Indústria Cerâmica Vermelha (Sindicer), o Instituto Prospectiva (Inspro), o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), utiliza a metodologia de Prospectiva Territorial para orientar decisões públicas e privadas no município.
De acordo com informações do Sindicer, a viabilização do projeto dependeu de uma rede de parcerias regionais que inclui a Cooperativa de Exploração Mineral da Bacia do Rio Urussanga (Coopemi), a Unesc, o Sebrae, o Laboratório de Cerâmica Vermelha (Labcer) e a Olaria das Artes. O suporte técnico foi complementado pela Rede APL Mineral e pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Computação Científica (FACC).
Para Alexandre Zacaron, diretor executivo do Sindicer, a articulação coletiva é a estratégia central para superar instabilidades econômicas históricas. “Buscamos nessa oportunidade soluções para o desenvolvimento do arranjo produtivo local de cerâmica vermelha. O setor vem enfrentando crises constantes e a nossa intenção é buscar a longevidade do segmento. Sozinho eu vou mais rápido, mas juntos nós vamos mais longe”, pontua o diretor.
Articulação institucional e combate à descontinuidade
O planejamento estratégico busca solucionar o principal entrave do setor mineral na região: a interrupção de políticas de desenvolvimento. Segundo Elzivir Azevedo Guerra, coordenador da Rede Brasileira de APLs de Base Mineral, vinculada ao MCTI, o cronograma de 20 a 30 anos assegura que os objetivos permaneçam sólidos independentemente de mudanças conjunturais. “Realizando um planejamento de 20 a 30 anos, o problema da descontinuidade das ações desaparece, pois todos os atores ficam comprometidos com um objetivo comum”, explica Guerra.
O sentimento de cooperação é compartilhado pelo Instituto Nacional de Tecnologia. O chefe do Laboratório de Energia do INT e coordenador do projeto, Joaquim Augusto Rodrigues, ressalta a relevância econômica da iniciativa para o município. Rodrigues afirma que a instituição tem satisfação em colaborar com as entidades locais para demonstrar a importância do APL para o desenvolvimento de Morro da Fumaça.
Pesquisa científica e a rota da cerâmica branca
Um dos diferenciais competitivos apresentados no relatório é a busca pela Indicação Geográfica (IG). O selo de exclusividade baseia-se em um fenômeno geológico raro identificado na região: a transformação da argila preta local em produtos de cor branca após o processo de queima.
Inovação tecnológica e validação acadêmica
A Unesc atua como o braço tecnológico do projeto, fornecendo fundamentação científica por meio de seu Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM). A pró-reitora de Ensino da universidade, Graziela Fátima Giacomazzo, destaca que a produção de conhecimento é o que viabiliza a aplicação prática do plano. “Nossas pesquisas trazem tecnologia e inovação para elevar a qualidade da cerâmica vermelha e garantir que o planejamento se efetive na prática”, afirma a pró-reitora.
O projeto foi articulado pelo professor Fabiano Raupp Pereira via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A iniciativa permitiu a aplicação de recursos do MCTI para a execução do planejamento durante 18 meses, contando com a colaboração de pesquisadores que possuem raízes familiares no setor cerâmico local.
Consolidação da identidade mineral
A base teórica para o pedido de Indicação Geográfica foi consolidada pela pesquisadora Grasiele Amoriso Benedet. O estudo une o conhecimento empírico dos produtores à comprovação técnica das características minerais exclusivas de Morro da Fumaça. “Quis trazer a experiênia do ceramista para a parte teórica. É uma honra colocar meu estudo para auxiliar o setor a entender como essa matéria-prima reage no forno e se transforma em material branco”, explica a doutoranda.
O relatório final entregue aos empresários detalha análises estruturais, modelos de governança e cronogramas de implementação. Com a integração entre o rigor acadêmico e a estratégia política, o setor cerâmico de Morro da Fumaça estabelece um novo patamar de organização para se consolidar como polo de inovação mineral no cenário nacional.













