O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) lançou nesta segunda-feira (30), durante coletiva promovida pela ACAERT, o Mapa do Feminicídio, ferramenta inédita que reúne e analisa dados da violência letal contra mulheres no estado. A apresentação foi conduzida por Kadu Reis e contou com a participação da procuradora-geral de Justiça, Vanessa Cavallazzi, dos promotores Simão Baran Junior e Chimelly Marcon, e destacou a necessidade de ações preventivas, especialmente no Sul catarinense, onde municípios como Araranguá apresentam indicadores proporcionais superiores aos de Criciúma.
O estudo, elaborado com base em casos registrados entre 2020 e 2024 e atualizado até 2025, sistematiza informações sobre perfil das vítimas, agressores, vínculos e circunstâncias dos crimes. Segundo o MPSC, o objetivo é transformar dados em inteligência para orientar políticas públicas e antecipar situações de risco.
Durante a coletiva, a procuradora-geral enfatizou que a iniciativa busca agir antes que a violência atinja níveis extremos. A ferramenta também detalha padrões recorrentes, como histórico de violência doméstica e relações próximas entre vítima e agressor, fatores considerados fundamentais para prevenção.
Com recorte regional, o mapa evidencia diferenças dentro do próprio Sul de Santa Catarina. Apesar de Criciúma aparecer com maior número absoluto de casos por ser um dos principais centros urbanos da região, municípios como Araranguá chamam atenção quando analisados proporcionalmente, indicando maior incidência em relação à população local.
Os dados reforçam que a violência de gênero não se limita aos grandes centros e pode apresentar maior impacto em cidades menores, exigindo estratégias específicas de enfrentamento. O levantamento também permite identificar territórios mais vulneráveis, subsidiando a atuação integrada entre Ministério Público, forças de segurança e rede de proteção às mulheres.
A promotora Chimelly Marcon, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (NEAVIT), destacou que o mapeamento amplia a capacidade de resposta institucional, enquanto o promotor Simão Baran Junior ressaltou o uso de ciência de dados para qualificar a análise e prever cenários.
Além do lançamento do mapa, o evento indicou a websérie “Ausências”, que retrata histórias reais por trás dos números, buscando sensibilizar a sociedade sobre a gravidade do feminicídio.
De acordo com o MPSC, a expectativa é que a ferramenta seja constantemente atualizada e utilizada como base para políticas públicas mais eficazes, com atenção especial às regiões onde os indicadores revelam maior vulnerabilidade.













