Recentemente conversei com uma colega muito especial, que me trouxe muitas reflexões sobre a leitura, a literatura e a relação, tanto das crianças quanto dos adultos, com os livros. Algo que ela trouxe nesse papo se relaciona diretamente com a escola, com os processos de eleição das obras escolhidas.
Ler é único e individual, cada leitor relaciona a obra com as suas experiências e bagagens. Isso deve ser respeitado, e principalmente, ouvido.
Muitas pessoas colocam a literatura em um lugar sacrossanto, acadêmico e inatingível. Considera a tal literatura apenas os clássicos, e não se sente capaz de consumir esse tipo de obra. Como podemos mudar isso? Como transformar nossos alunos em leitores, e mais ainda, como transformar a comunidade escolar em uma comunidade leitora? Afinal, adulto que lê estimula, dá exemplo e troca com crianças à sua volta. Isso vale para o pai, para a mãe, para o cuidador e também para o professor!
Por vezes nos perdemos enquanto docentes em leituras utilitárias, sendo para estudos metodológicos e técnicos, seja para a abordagem mais coesa de obras em sala de aula. E é aí que nós professores erramos. Quando relacionamos exclusivamente uma obra com a sua utilidade, tiramos dela o subjetivo da experiência única de cada aluno.
Outro momento no qual erramos enquanto adultos é menosprezar as experiências leitoras de não clássicos, de obras que podem sim parecer “menores”, mas que dialogam com a maturidade leitora de cada criança. Aquele livro considerado bobo, em algum momento vai apresentar referências, e as conexões são feitas pela própria criança à medida em que amadurece e passa a consumir quase organicamente obras mais densas e robustas.
Então, já que estamos no clima de planejamentos para 2021, minha provocação de hoje é: será que podemos permitir que nossos alunos e crianças escolham uma leitura do ano, para que possamos ouvir e acolher as experiências e bagagens de cada um, podendo dessa forma trazer mais coerência para as demais leituras do ano?