A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou na quarta-feira (7) que ainda não dispõe de informações suficientes para avaliar os riscos relacionados à morte de uma técnica de laboratório de 28 anos na região de Irkutsk, na Sibéria, na Rússia. Relatos da imprensa local apontam a suspeita de peste pneumônica, possivelmente após o rompimento de um tubo de ensaio, mas as circunstâncias do caso ainda não foram esclarecidas.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a organização ainda não possui um panorama completo do episódio e, por isso, não consegue realizar uma avaliação integral dos riscos.
Em contrapartida, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou as informações divulgadas pela imprensa como falsas e defendeu que sejam considerados apenas os comunicados oficiais das autoridades russas.
Estados Unidos solicitam esclarecimentos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que pretendia conversar por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, para tratar do caso. Peskov, no entanto, afirmou que não havia acordo confirmado para a realização da ligação.
Trump também disse não acreditar, inicialmente, que a morte estivesse relacionada a uma arma biológica. Segundo ele, a Rússia havia informado que a situação estava sob controle. Os Estados Unidos ainda solicitaram formalmente ao governo russo mais informações sobre o episódio, conforme noticiado pela agência AFP.
Rússia nega segundo caso de adoecimento
A OMS também pediu esclarecimentos sobre relatos de uma segunda funcionária do instituto com pneumonia de causa desconhecida. Na quinta-feira (8), as autoridades russas negaram que outra pessoa tivesse adoecido e afirmaram que não havia risco de epidemia para a população.
A agência de saúde russa informou que as investigações não identificaram uma situação de emergência e que as medidas preventivas envolvendo pessoas que tiveram contato com a funcionária morta na semana anterior haviam sido concluídas.
De acordo com o órgão, mais de 90% dos contatos monitorados já haviam encerrado o período de observação médica. Além disso, quase 5 mil testes laboratoriais não detectaram microrganismos patogênicos considerados perigosos.
Diante da situação, a Mongólia anunciou medidas de vigilância e monitoramento sanitário na fronteira com a Rússia.
O que é a peste pneumônica?
A peste pneumônica é uma forma grave da peste, causada pela bactéria Yersinia pestis. A doença atinge os pulmões e pode ser transmitida entre pessoas por meio de gotículas respiratórias, como as liberadas durante a tosse.
A infecção pode ser tratada com antibióticos, especialmente quando o diagnóstico ocorre precocemente. A forma pneumônica também pode surgir quando a bactéria se espalha para os pulmões após uma infecção inicial em outra parte do organismo.
Até o momento, as informações divulgadas não permitem estabelecer de forma conclusiva a causa da morte da pesquisadora nem confirmar a existência de um surto relacionado ao caso.












