Na última sexta-feira (24), o Jornal Amorim, da rádio 102.9 Amorim FM, recebeu o professor e pesquisador Gustavo de Bem Silveira para uma entrevista detalhada sobre a doença de Parkinson. Mestre em Ciências da Saúde e especialista em doenças neurodegenerativas há 11 anos, Gustavo esclareceu as principais dúvidas sobre a patologia, que afeta o sistema motor e neurológico. O encontro, que contou com a participação da estudante de Psicologia Vanessa Pires, teve como objetivo principal desmistificar os sintomas e reforçar a importância da prevenção e do suporte emocional tanto para pacientes quanto para familiares.
Entendendo a doença de Parkinson
A doença de Parkinson é caracterizada como uma condição neurodegenerativa crônica que afeta a comunicação entre os neurônios. Segundo o professor Gustavo de Bem Silveira, o problema central está na morte de células específicas do cérebro. “A doença de Parkinson afeta principalmente os neurônios dopaminérgicos. A dopamina é um neurotransmissor que o cérebro utiliza para enviar informações responsáveis por aspectos do movimento e da sensibilidade ao prazer”, explicou o especialista. Com a redução dessa substância, o paciente passa a enfrentar dificuldades que vão além da parte motora, atingindo também o campo emocional e psicológico.
Sinais de alerta além dos tremores
Um dos pontos mais importantes destacados durante a entrevista foi a quebra do mito de que o tremor é sempre o primeiro indicativo da doença. Gustavo afirmou que cerca de 75% dos casos não começam com tremores, mas sim com a rigidez muscular e a dificuldade de completar movimentos, condição chamada de bradicinesia.
“Muitas vezes, o tremor nem é o primeiro sinal observado. Devemos ficar atentos à rigidez do comportamento ou à dificuldade de completar um movimento simples, como o ato de um idoso se levantar de uma cadeira e não conseguir finalizar a ação”, alertou o pesquisador. Outro sinal comum é o encurtamento dos passos durante a caminhada, onde o indivíduo realiza movimentos curtos e rápidos para tentar se deslocar.
Tratamento e manutenção da qualidade de vida
Embora ainda não exista uma cura definitiva para o Parkinson, os tratamentos atuais focam na redução dos danos e na melhoria da qualidade de vida. O uso de medicamentos como a Levodopa, que auxilia na produção de dopamina, é o padrão ouro no controle dos sintomas. Além disso, novas abordagens utilizam anti-inflamatórios para reduzir processos inflamatórios no cérebro.
Gustavo enfatizou que o estilo de vida funciona como uma ferramenta de proteção. “A forma como levamos a vida vai acarretar o surgimento ou a proteção contra essas patologias. Exercício físico, alimentação saudável, sono regular e o hábito da leitura são fundamentais para manter o cérebro ativo”, pontuou.
O papel da psicoterapia no acompanhamento
A saúde mental foi um tema central na discussão, com Vanessa Pires reforçando que o suporte psicológico é um divisor de águas. O diagnóstico de uma doença crônica gera ansiedade e um processo de despersonalização, onde o paciente pode ter dificuldades em se reconhecer devido às limitações físicas.
O professor Gustavo reiterou que o cuidado com a mente deve ser preventivo e constante. “Psicoterapia não é coisa de gente doente. Psicoterapia é coisa de gente que quer se manter saudável, assim como o exercício físico e a alimentação”, afirmou. Ele também destacou a importância de o paciente compartilhar o diagnóstico com pessoas queridas: “A única forma de enfrentar alguma coisa é ter a verdade. Sem a verdade você não consegue enfrentar. Buscar quem você ama e contar o que está acontecendo diminui o peso da carga”.
Pesquisas e o futuro do diagnóstico
O grupo de pesquisa liderado por Silveira está iniciando um estudo com centenários na região Sul, incluindo o município de Sombrio, para entender como alguns idosos mantêm uma lucidez superior a pessoas mais jovens. Entre as descobertas recentes citadas, está a possibilidade de identificar marcadores da doença no intestino até 20 anos antes das manifestações cerebrais, o que pode revolucionar o diagnóstico precoce no futuro.











