Pesquisadores da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) desenvolvem, desde 2021, um estudo voltado ao aprimoramento do diagnóstico da sífilis. A pesquisa, conduzida pelo Laboratório de Fisiopatologia Experimental e pelo grupo Biotech, ligado ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (PPGCS), busca criar testes mais precisos para identificar a doença em diferentes estágios e, agora, amplia os trabalhos para o diagnóstico precoce da sífilis congênita em recém-nascidos. O objetivo é oferecer soluções que fortaleçam a saúde pública e reduzam complicações causadas pela infecção.
O projeto teve início a partir de uma parceria com a Universidade de Rio Verde (GO), quando pesquisadores identificaram a necessidade de aperfeiçoar os métodos de diagnóstico disponíveis no mercado. Desde então, a equipe passou a estudar proteínas relacionadas ao agente causador da doença, utilizando análises computacionais, banco de amostras sorológicas e síntese de moléculas em laboratório.
Segundo o coordenador do Laboratório de Fisiopatologia Experimental, Ricardo Andrez Machado de Ávila, um dos principais desafios é diferenciar pacientes que já receberam tratamento daqueles que ainda apresentam infecção ativa, além de identificar casos sem sintomas.
A pesquisadora de pós-doutorado Rahisa Scussel explica que o grupo conseguiu validar uma ferramenta capaz de detectar pacientes em diferentes fases da sífilis e monitorar, de forma mais específica, a resposta ao tratamento, superando limitações dos exames atualmente utilizados.
Os resultados renderam a publicação de um artigo científico e o depósito de uma patente pela Unesc. As moléculas desenvolvidas também estão sendo avaliadas para aplicação em testes rápidos, inclusive com a participação de estudantes que realizam pesquisas na Inglaterra. Além disso, a Universidade adquiriu um equipamento específico para produção desses testes, o que deve acelerar as próximas etapas do projeto.
Formação de novos pesquisadores
A pesquisa também contribui para a formação acadêmica de estudantes. A biomédica Letícia Alves Borghezan participou do projeto desde a iniciação científica, desenvolveu seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre o tema e atualmente segue colaborando como mestranda.
Ela destaca que acompanhou todas as fases da pesquisa, desde a identificação das proteínas até a produção das moléculas utilizadas nos testes diagnósticos, experiência que fortaleceu sua formação profissional.
Novo foco é a sífilis congênita
Após os avanços obtidos no diagnóstico da sífilis em adultos, o grupo iniciou uma nova etapa voltada à identificação precoce da sífilis congênita.
A pesquisa pretende diferenciar os recém-nascidos realmente infectados daqueles que apenas receberam anticorpos maternos pela placenta, situação que hoje pode dificultar o diagnóstico e atrasar o tratamento, aumentando o risco de sequelas como problemas neurológicos, surdez e cegueira.
A mestranda Lidiane Anastácio Cruz integra essa nova fase do estudo, que busca identificar proteínas específicas relacionadas às infecções recentes, tornando os resultados mais precisos e permitindo o desenvolvimento de testes rápidos destinados à rede pública de saúde.
Próximos passos
Os pesquisadores trabalham para ampliar o banco de amostras e avançar no desenvolvimento dos testes rápidos. O projeto já apresenta um nível de maturidade tecnológica considerado promissor, o que pode abrir caminho para futuras parcerias com empresas interessadas na produção da tecnologia.
Já a pesquisa voltada à sífilis congênita recebeu apoio do Programa Pesquisa para o SUS, do Ministério da Saúde. A expectativa é que a iniciativa contribua para ampliar a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) em identificar precocemente infecções neonatais, reduzindo sequelas e garantindo tratamento mais rápido aos bebês.












