SaúdePesquisa da Unesc revela alerta sobre idosos em Criciúma

Pesquisa da Unesc revela alerta sobre idosos em Criciúma

Pesquisa conduzida pela Unesc revelou, nos primeiros resultados do LIFE Study, um retrato das condições de vida da população idosa de Criciúma, com dados sobre saúde física e mental, hábitos de vida, vulnerabilidade social e histórico de violência. O levantamento foi realizado para compreender os fatores associados ao envelhecimento e contribuir com políticas públicas e serviços de saúde voltados às pessoas com 60 anos ou mais no município.

Conforme a Unesc, o estudo foi desenvolvido pelo Grupo de Pesquisas Violência, Desigualdades e Saúde (ViDaS), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSCol). Ao todo, foram feitas 801 entrevistas domiciliares com idosos. A pesquisa é considerada inédita na região por reunir análises sociais, comportamentais, clínicas e laboratoriais.

Estudo aponta alta presença de doenças crônicas

Entre os dados apresentados, a multimorbidade aparece como um dos principais pontos de atenção. Segundo a pesquisa, 83,5% dos idosos entrevistados convivem com duas ou mais doenças crônicas ao mesmo tempo.

A Hipertensão Arterial Sistêmica é a condição mais frequente, registrada em 64% dos participantes. Na sequência, aparecem colesterol alto, com 47%, e artrite ou artrite reumatoide, com 40%.

A saúde mental também foi analisada pelo levantamento. Conforme os dados, 24,2% dos idosos apresentam depressão, enquanto 23,9% têm quadros de ansiedade moderados a graves. O estudo também identificou que 13,4% relataram sentimentos de solidão e 15,2% apresentaram comprometimento cognitivo.

Hábitos de vida também preocupam

A pesquisa mostrou ainda que 56,8% dos participantes são considerados fisicamente inativos. Outros 54,8% apresentam má qualidade do sono.

Em relação ao estado nutricional, 57,1% dos idosos estão com excesso de peso. Já na avaliação nutricional, 49% foram classificados em situação de risco de desnutrição.

Outro dado sensível envolve a violência ao longo da vida. Os resultados indicam que 58,7% dos idosos relataram agressões físicas praticadas por familiares durante a infância. No envelhecimento, a prevalência de violência doméstica atual é de 16,3%, enquanto 12,9% afirmaram ter sofrido abuso econômico. O risco de violência atinge 22,2% da amostra.

Vulnerabilidade social aparece no levantamento

O estudo também identificou desigualdades socioeconômicas entre os participantes. Quase metade dos idosos, 47,7%, pertence às classes D e E. Já 11,6% integram as classes A e B.

A maior parte dos entrevistados, 81%, não exerce atividade remunerada, e 74% dependem da aposentadoria. Entre os participantes, 62,8% são mulheres, 51,2% têm entre 60 e 69 anos, 83,6% se autodeclararam brancos e 56% vivem com companheiro ou companheira.

O levantamento mostra ainda que 40,4% possuem de cinco a oito anos de estudo, 89,8% não têm cuidador e 95,8% são deambulantes, ou seja, conseguem se locomover.

Para a professora Susana Cararo Confortin, uma das coordenadoras do estudo, os dados reforçam a necessidade de ampliar o olhar sobre a população idosa.

“Os dados da pesquisa acendem um alerta importante para toda a sociedade. Observamos alta prevalência de doenças crônicas, multimorbidade e indicadores relevantes de depressão, ansiedade e risco de violência. Esse cenário reforça a necessidade de ampliar ações voltadas ao envelhecimento saudável, garantindo mais qualidade de vida, autonomia e suporte aos idosos”, destaca.

Pesquisa integra saúde, genética e qualidade de vida

O LIFE Study é coordenado pelas professoras Susana Cararo Confortin e Vanessa Iribarrem Avena Miranda. A iniciativa reúne pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina e da Fundação Oswaldo Cruz, além de profissionais ligados à Unesc.

Parte dos participantes foi selecionada para exames laboratoriais, com coleta de sangue e amostra de mucosa oral. O objetivo é analisar marcadores relacionados ao envelhecimento celular e à instabilidade genômica.

Segundo Vanessa, o diferencial do trabalho está na abordagem interdisciplinar.

“Desta forma, unimos informações sociais, clínicas e laboratoriais. Isso nos permite compreender melhor os fatores que impactam a qualidade de vida da população idosa e pensar em estratégias futuras de prevenção e promoção da saúde”, comenta.

A professora também destaca que o envelhecimento deve ser compreendido de forma ampla.

“Não estamos falando apenas da presença de doenças, mas também de fatores sociais, emocionais e das experiências acumuladas ao longo da vida. Os dados revelam idosos que convivem com situações de vulnerabilidade, sofrimento mental, inatividade física e até violência, o que reforça a importância de políticas públicas integradas e do fortalecimento da rede de cuidado”, enfatiza.

Unesc destaca impacto social da pesquisa

Para a reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, o incentivo à pesquisa tem relação direta com a qualidade de vida da comunidade.

“Este estudo mostra a força da nossa Universidade e o quanto a ciência produzida aqui tem impacto direto na vida das pessoas. Seguiremos fortalecendo o apoio à Pesquisa, à Inovação e à formação de profissionais comprometidos com o desenvolvimento social, porque acreditamos que a Universidade só cumpre plenamente seu papel quando está conectada com as necessidades da sociedade”, enaltece.

A reitora licenciada e secretária de Estado da Educação, Luciane Bisognin Ceretta, afirma que a ciência amplia a capacidade de compreender as demandas da sociedade.

“É por meio dessa escuta qualificada que construímos uma comunidade mais consciente, mais justa e preparada para cuidar de todas as gerações. A Pesquisa nos coloca diante de realidades que não podem ser ignoradas e nos convoca a agir com mais sensibilidade, responsabilidade e compromisso”, destaca Luciane.

Estudo deve contribuir com políticas públicas

De acordo com Susana, o objetivo do LIFE Study vai além da produção acadêmica. A proposta é auxiliar o planejamento de políticas públicas e de serviços de saúde mais próximos das necessidades da população idosa de Criciúma.

“Mais do que produzir conhecimento científico, o LIFE Study tem o propósito de contribuir diretamente com o planejamento de políticas públicas e serviços de saúde mais alinhados às necessidades reais da população idosa de Criciúma. Cada entrevista realizada representa uma oportunidade de compreender melhor essa população e pensar em caminhos para um envelhecimento mais saudável e digno”, completa Susana.

A pesquisa conta com apoio financeiro do Edital de Chamada Pública FAPESC 09/2024 – Mulheres + Pesquisa 1ª edição e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio da Chamada CNPq/MCTI nº 44/2024 – Faixa B – Grupos Consolidados.

Também colaboram com o projeto os pesquisadores Cristiane Damiani Tomasi, Ione J. C. Schneider, Larissa P. Marques, Maria Inês da Rosa, Tamy Colonetti, Vanessa M. de Andrade, Felipe Dal Pizzol, Aline Rodrigues Barbosa, Marysabel Telis Silveira e Liliana Yanet Gómez Aristizábal. A iniciativa envolve ainda parceria entre o PPGSCol e o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Unesc (PPGCS).

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