A Polícia Federal (PF) identificou fortes indícios de vazamento de informações sigilosas durante a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, ocorrida em 14 de janeiro, que visava cumprir mandados contra o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seus sócios. De acordo com informações publicadas pela Revista Oeste com base em dados do portal UOL, a ação enfrentou resistências atípicas e sinais de que os investigados possuíam conhecimento prévio das buscas em cinco estados brasileiros. A suspeita de que a estratégia policial foi comprometida baseia-se na prontidão de advogados nos locais das buscas e na fuga apressada de alvos principais, o que dificultou a apreensão de dispositivos eletrônicos e outras provas digitais essenciais para o inquérito.
Sinais de alerta e resistência durante as buscas
Ao chegarem à residência de Daniel Vorcaro, os agentes federais foram recebidos por um advogado que já se encontrava no portão, além de seguranças armados que tentaram impedir a entrada da equipe policial. Relatos da PF indicam que a intervenção foi necessária para garantir o acesso ao imóvel. Em Minas Gerais, a situação se repetiu na casa de Fernando Vieira, suspeito de operar empresas de fachada, onde policiais militares à paisana atuavam como seguranças privados e recepcionaram os agentes federais.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro contestou a versão oficial e afirmou que os seguranças não ofereceram resistência. “A PF atirou nas fechaduras sem aguardar que o cliente abrisse a porta”, declarou a defesa. Sobre a presença do advogado no local antes do início da diligência, os representantes explicaram que a medida foi preventiva após a prisão de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, no dia anterior.
Fugas apressadas e apartamentos vazios
A PF registrou episódios de aparente abandono repentino de imóveis em diferentes regiões. Em Trancoso, na Bahia, a equipe encontrou o quarto de Felipe Vorcaro, primo do banqueiro, revirado. Familiares alegaram que o administrador e sua esposa haviam saído para a academia, mas o casal não retornou enquanto os policiais estiveram no local, impossibilitando a coleta de celulares. Em Belo Horizonte, na residência de André Beraldo de Morais, roupas espalhadas e armas acessíveis reforçaram a tese de fuga imprevista.
No Rio de Janeiro, o apartamento de Nelson Tanure, também investigado por supostas fraudes em fundos de investimento, estava em processo de desocupação, sem a presença de moradores ou equipamentos eletrônicos. A defesa de Tanure alegou que o empresário “havia se mudado fazia pouco tempo daquele endereço, de modo que bastaria ter checado isso na portaria do condomínio” para localizar seu paradeiro atualizado.
Obstáculos judiciais e desdobramentos da investigação
A investigação aponta que a eficácia da Operação Compliance Zero foi parcialmente comprometida por decisões judiciais anteriores. Meses antes da deflagração, a PF solicitou a atualização dos endereços dos alvos, porém o pedido foi negado pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse fator, aliado aos sinais de vazamento, resultou em tentativas frustradas de obter mídias digitais que poderiam detalhar o esquema investigado.
Até o momento, a operação resultou no bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens e na execução de 42 mandados de busca e apreensão. A Polícia Federal deve instaurar procedimentos adicionais para identificar a origem do possível vazamento de informações que beneficiou os alvos do caso Master.











