O Rio Grande do Sul deve consolidar sua posição como o principal eixo de expansão da economia brasileira em 2026. Projeções oficiais indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho apresentará uma alta de 4,6%, o índice mais expressivo entre os estados brasileiros para o período. O desempenho, puxado por um avanço de 16,5% no setor agropecuário, coloca o Estado em um patamar de crescimento superior ao dobro da média nacional esperada, que é de 2%.
De acordo com o Boletim de Conjuntura do RS, publicado em janeiro de 2026 pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), o cenário de otimismo é sustentado pela recuperação econômica após ciclos climáticos adversos. O levantamento aponta que a forte retomada do campo funciona como o centro dinâmico da economia estadual, gerando reflexos positivos imediatos sobre o comércio, a logística e a indústria de transformação.
Força da agropecuária e incentivos estaduais
O principal pilar do avanço econômico é a agropecuária, com alta projetada de 16,5% no Estado, marca significativamente superior à média nacional do setor, estimada em 1%. A produção de grãos deve somar 8,2 milhões de toneladas adicionais, com destaque para o crescimento da soja (+55,4%) e do milho (+19,9%). Segundo os dados da SPGG, a execução de políticas públicas de suporte direto ao produtor é um fator determinante para este resultado.
Entre as iniciativas destacadas está o Programa Milho 100%, da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). Implementado para a safra 2025/2026 com investimento de R$ 93 milhões, o programa garantiu subsídio integral para sementes de milho e sorgo a mais de 40 mil produtores em 457 municípios, reduzindo a dependência de insumos externos e elevando a produtividade.
Apoio à agricultura familiar e sucessão rural
O suporte à agricultura familiar é outra frente estratégica para viabilizar as projeções de crescimento. O programa de Sementes e Mudas Forrageiras, com aporte de R$ 26 milhões em 2026, atende mais de 24 mil agricultores para fortalecer a pecuária de leite e corte. Paralelamente, o Programa Agrofamília destinou R$ 56 milhões para fomentar a sucessão rural, incluindo R$ 12 milhões específicos para projetos produtivos liderados por jovens em 140 municípios.
A comercialização também recebe incentivos por meio das Feiras da Agricultura Familiar, que contam com aporte de R$ 14 milhões. Em 2025, essa modalidade de venda direta superou R$ 46 milhões em faturamento, consolidando-se como importante geradora de renda no meio rural.
Fortalecimento da cadeia leiteira e inclusão produtiva
No âmbito do Plano Safra RS, o Bônus Mais Leite foca na qualificação da cadeia produtiva com investimentos de R$ 30 milhões. A iniciativa concede bônus financeiro de até 25% sobre contratos de custeio para produtores enquadrados no Pronaf. Até fevereiro de 2026, a SDR já emitiu mais de 2 mil declarações, com contratos assinados que somam R$ 133,1 milhões, sendo R$ 23,3 milhões em subvenções diretas do Estado.
O programa Desenvolve RS Rural complementa as ações com R$ 43,7 milhões destinados ao fortalecimento de comunidades indígenas, quilombolas, pescadores e cooperativas. O foco da iniciativa é a inclusão produtiva e a sustentabilidade, com investimentos em projetos de captação e usos múltiplos da água em todo o território gaúcho. Além disso, a Consulta Popular destinou R$ 15,3 milhões para projetos municipais aprovados pela SDR, visando o aumento da produtividade e da comercialização regional.
Defesa sanitária e investimentos em infraestrutura
A estabilidade das cadeias animais é monitorada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) através do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa). O mecanismo garante segurança jurídica e indenizatória aos produtores de aves, suínos e bovinos. Setores de especialidades também recebem aportes via fundos específicos, como o Fundovitis (R$ 44,3 milhões para vitivinicultura), o Fundomate (R$ 850 mil) e o Fundovinos (R$ 4,9 milhões).
Para mitigar riscos climáticos e garantir a sustentabilidade do PIB a longo prazo, o governo estadual oferece subvenções de 20% para investimentos privados em sistemas de irrigação. A meta é ampliar a área irrigada em 100 mil hectares nos próximos quatro anos, conferindo maior previsibilidade aos ciclos produtivos.
Expansão nos setores de serviços e indústria
O reflexo do bom desempenho do campo estende-se aos demais setores urbanos. O setor de serviços no Rio Grande do Sul tem crescimento projetado de 4,3% para 2026, superando a média brasileira de 2,1%. A indústria gaúcha também mantém trajetória de expansão, com alta estimada em 1,3%. O setor industrial é beneficiado pela redução da taxa Selic e pelo aumento da demanda por implementos agrícolas e bens de consumo, consolidando o ciclo de retomada econômica do Estado.













