PolíciaPolícia indicia trio por crime brutal dentro de presídio

Polícia indicia trio por crime brutal dentro de presídio

A Polícia Civil concluiu, nesta terça-feira, o inquérito policial que apurava o assassinato do detento Ramon de Oliveira Machado, ocorrido no último dia 20, no alojamento 8 do Presídio Regional de Araranguá. A investigação, coordenada pelo delegado Jorge Ghiraldo, revelou que o crime, inicialmente assumido por apenas um interno, foi na verdade uma execução brutal praticada por três homens. A motivação teria sido uma desavença fútil entre os envolvidos e a vítima, que foi surpreendida enquanto jogava baralho.

Investigação desmascara confissão forjada

Logo após o homicídio, um detento conhecido pelo apelido de “Romário” chamou os policiais penais e confessou ser o único autor do crime, entregando os instrumentos perfurantes utilizados. No entanto, ao ser interrogado formalmente na delegacia, o suspeito permaneceu em silêncio.

A contradição levou a Polícia Civil a realizar novas diligências dentro da unidade prisional. Após ouvir os 27 detentos que dividiam o alojamento, a equipe de investigação descobriu que a confissão de Romário foi uma estratégia para proteger os verdadeiros executores. Testemunhas protegidas detalharam que o crime foi planejado e executado com extrema violência por outros dois internos.

Crueldade e dinâmica da execução

Segundo o relatório final, a vítima foi atacada enquanto estava sentada na entrada do alojamento. O detento apelidado de “Ceifador” iniciou as agressões com um estilete artesanal — fabricado a partir de vergalhões retirados da própria estrutura do presídio. Os primeiros golpes atingiram a região do olho e da nuca de Ramon.

Mesmo ferido, o homem tentou se esconder em uma das camas, mas foi contido por um terceiro envolvido, identificado como Jean (conhecido como “Fantasma”). Enquanto Ramon era segurado, “Ceifador” desferiu dezenas de estocadas. O laudo pericial confirmou a crueldade da ação: foram contabilizadas 160 perfurações no corpo da vítima, que chegou a implorar por clemência antes de perder a consciência.

Fraude processual e indiciamentos

Após a morte, os envolvidos tentaram apagar os vestígios do crime. O grupo utilizou água sanitária para lavar o corpo e remover impressões digitais, além de descartar parte das armas e roupas sujas no esgoto da cela. Romário, que inicialmente assumiu a culpa, participou ativamente da limpeza e do transporte do cadáver pelo alojamento para simular uma cena diferente da real.

Diante das provas colhidas, o delegado indiciou o trio por:

  • Homicídio duplamente qualificado: por motivo fútil e utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima (traição);

  • Fraude processual: pela tentativa de destruir provas e alterar a cena do crime.

A Polícia Civil representou pela prisão preventiva dos novos identificados e pela manutenção da detenção de Romário. O caso agora está à disposição do Ministério Público para o oferecimento da denúncia criminal.

Relacionados

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img
spot_img
spot_img
spot_img
spot_img

Últimas Notícias