O avanço do projeto do Porto Meridional, em Arroio do Sal (RS), reforçou a necessidade de investimentos em infraestrutura, logística e habitação no extremo sul de Santa Catarina. O tema foi debatido durante uma missão empresarial realizada na última semana, em Caxias do Sul (RS), por representantes da Associação Empresarial de Sombrio (ACIS) e da Associação Empresarial de Araranguá e Extremo Sul Catarinense (ACIVA), que buscaram conhecer iniciativas voltadas ao desenvolvimento regional e discutir os impactos da nova estrutura portuária.
A comitiva foi formada pelos presidentes da ACIS, Roger Guimarães, e da ACIVA, Jadiel Boza Della Vechia, além da consultora comercial Débora Vasconcellos. O grupo foi recebido pelo MobiCaxias – Mobilização por Caxias do Sul, representado pelo presidente Jaime Marchet e pelo diretor executivo Rogério Rodrigues, além de participar de uma reunião na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), com o presidente Ubiratã Rezler.
Durante o encontro, os empresários conheceram o modelo de governança colaborativa adotado pelo MobiCaxias, baseado na integração entre setor público, iniciativa privada, universidades e sociedade civil, além do planejamento estratégico desenvolvido por meio do projeto Caxias 2040.
Entre os principais temas debatidos esteve o Porto Meridional, empreendimento privado estimado em R$ 6 bilhões, com capacidade projetada para movimentar até 53 milhões de toneladas de cargas por ano. A previsão é que as obras tenham início em 2027.
A agenda também abordou a implantação do Terminal Rodoferroviário de Vacaria, a proposta de uma futura ferrovia ligando Florianópolis a Porto Alegre e a mobilização pela conclusão da BR-285. A rodovia já foi federalizada até Timbé do Sul, restando a ligação até Araranguá, onde se conecta à BR-101.
Segundo Jaime Marchet, o novo porto amplia as oportunidades logísticas para exportadores catarinenses sem competir diretamente com o Porto de Imbituba. Já Jadiel Boza Della Vechia ressaltou que a conclusão da BR-285 poderá elevar para cerca de 8 mil o número de veículos que circularão diariamente pela rodovia, exigindo melhorias na infraestrutura regional. Ele também destacou a expansão da rede de gás natural até Sombrio como outra prioridade da ACIVA.
Para o presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, a aproximação entre entidades empresariais dos dois estados fortalece uma agenda conjunta voltada ao desenvolvimento econômico e à redução dos custos logísticos.
Os presidentes da ACIS e da ACIVA defenderam que o setor empresarial mantenha uma atuação conjunta para impulsionar projetos estruturantes. Roger Guimarães alertou ainda que o déficit habitacional já afeta a competitividade das empresas do extremo sul catarinense e afirmou que os municípios localizados ao longo da BR-101 precisam se preparar para receber novos investimentos industriais, comerciais e habitacionais.












