O setor de construção civil de Santa Catarina registra forte pressão nos custos de produção em abril de 2026, motivada pela instabilidade no mercado internacional de petróleo e pelos reflexos do conflito no Oriente Médio iniciado em fevereiro. De acordo com um estudo preliminar do Observatório FIESC, esse cenário gera um choque externo que impacta diretamente a logística e o preço de insumos essenciais, elevando o valor final das obras no estado.
Impacto nos custos de insumos e matérias-primas
O levantamento realizado pelo Observatório da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) detalha que o aumento dos combustíveis tem gerado reajustes em cadeia para as construtoras catarinenses. Entre dezembro de 2025 e março de 2026, os tubos de PVC, que possuem derivados de petróleo em sua composição, apresentaram uma elevação de 39,1% nos preços.
Outros materiais fundamentais para o setor também registram variações significativas no período. O alumínio teve alta de 30,3%, seguido pelo aço, com 15,8%, e o concreto, que subiu 6,5%. Conforme destaca o presidente do Conselho da Indústria da Construção, Marcos Bellicanta, esses reajustes comprometem o orçamento de novos projetos e reformas. Os itens contribuem para encarecer o custo efetivo das obras, “reduzindo o poder de compra de quem pretende construir ou reformar e pressionando o preço de novos imóveis no mercado”.
Antecipação estratégica de preços pelo mercado
Além dos custos operacionais imediatos, o estudo da FIESC identifica um movimento de antecipação por parte dos fornecedores. A análise sugere que os reajustes observados em determinados produtos podem estar ocorrendo antes mesmo do repasse integral da alta do petróleo e do diesel para as operações industriais.
Incerteza e comportamento dos fornecedores
Para a liderança setorial da federação, o clima de instabilidade global favorece ajustes preventivos nos preços. Segundo explica Bellicanta, “a sinalização é de que fornecedores podem estar se aproveitando do cenário de incerteza para antecipar novos aumentos previstos no petróleo e no diesel, repassando custos ao mercado antes mesmo que a alta internacional se efetive plenamente em suas operações”. O monitoramento da FIESC continuará acompanhando os desdobramentos do mercado externo para avaliar a necessidade de novas projeções para o setor imobiliário catarinense.











