O Governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria Estadual da Saúde (SES), vem ampliando as políticas públicas com três programas inéditos voltados a públicos específicos: mulheres, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e idosos frágeis ou com demência. As iniciativas — SERMulher RS, TEAcolhe e Saúde 60+ RS — foram estruturadas nos últimos anos e integram a estratégia estadual de qualificar o atendimento, ampliar o acesso e reduzir desigualdades regionais na rede de saúde.
Os programas são coordenados pela SES e foram implantados em diferentes regiões do Estado com atuação regionalizada, financiamento específico e integração com a atenção primária à saúde. O objetivo é aproximar os serviços especializados da população e garantir linhas de cuidado com metas assistenciais e acompanhamento permanente.
Segundo a diretora do Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde, Marilise Fraga de Souza, a proposta é oferecer suporte especializado para situações que ultrapassam a capacidade de atendimento da atenção básica. A estratégia também busca modernizar a rede pública e ampliar o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo de pacientes.
SERMulher RS fortalece cuidado especializado
Lançado em dezembro de 2024, o SERMulher RS é a primeira política estadual voltada exclusivamente à saúde da mulher. O programa prevê ambulatórios especializados regionais para diagnóstico e tratamento de condições como câncer de colo do útero e de mama, endometriose, miomas, infertilidade, climatério e planejamento reprodutivo.
Cada unidade recebe investimento inicial de R$ 200 mil para implantação e R$ 125 mil mensais para manutenção. A expectativa é instalar até 20 serviços em todo o Estado, com capacidade mensal de 140 consultas médicas, 216 atendimentos multiprofissionais e 645 exames e procedimentos.
Entre as inovações está a presença do chamado navegador em saúde, profissional responsável por acompanhar as pacientes desde o primeiro atendimento, orientando encaminhamentos e reduzindo o tempo entre diagnóstico e início do tratamento.
Até o momento, 19 localidades já foram selecionadas e 16 unidades estão em funcionamento. Somente em 2025, primeiro ano do programa, foram realizadas mais de 39 mil consultas.
Um dos exemplos está no Hospital Ouro Branco, em Teutônia, no Vale do Taquari, onde o serviço inaugurado em abril de 2025 já realizou mais de 1,5 mil consultas médicas em ginecologia e mastologia, além de mais de 500 exames diagnósticos.
Rede de atendimento para pessoas com autismo
O TEAcolhe estrutura uma rede estadual de atendimento especializado para pessoas com Transtorno do Espectro Autista. O programa foi criado com base na Política Estadual de Atendimento Integrado à Pessoa com TEA e tornou-se política pública permanente em dezembro de 2025.
A iniciativa garante acesso ao diagnóstico, terapias e acompanhamento ao longo de toda a vida, além de oferecer suporte às famílias. Atualmente, a rede conta com 70 centros de atendimento em saúde, 28 centros regionais de referência e sete centros macrorregionais.
Em 2024, os serviços realizaram cerca de 675 mil atendimentos. Apenas em janeiro deste ano foram registrados 61 mil atendimentos para mais de 8 mil usuários.
Desde 2021, os investimentos estaduais no programa somam R$ 149 milhões. O acesso ocorre por meio das unidades básicas de saúde, que identificam sinais do transtorno e encaminham os pacientes para acompanhamento especializado.
Atendimento ampliado para idosos
Já o programa Saúde 60+ RS, instituído em 2025, oferece atendimento especializado para pessoas com 60 anos ou mais que apresentem fragilidade funcional ou diagnóstico ou suspeita de demência.
A iniciativa utiliza avaliação multidimensional da pessoa idosa para identificar necessidades de cuidado, incluindo o Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional (IVCF-20). Pacientes com pontuação igual ou superior a 15 pontos são considerados frágeis e têm prioridade no atendimento.
A meta é implantar 20 centros regionais no Estado. Até agora, 15 foram habilitados e 13 já estão em funcionamento em municípios como Novo Hamburgo, Pelotas, Caxias do Sul, Lajeado e Santa Rosa. Outros serviços estão em fase final de implantação.
Cada centro recebe incentivo mensal de até R$ 130 mil para custeio das equipes multiprofissionais. O encaminhamento dos pacientes também é feito pelas unidades básicas de saúde.
Com a consolidação das três iniciativas, a Secretaria da Saúde projeta ampliar o acesso ao diagnóstico, fortalecer o cuidado especializado e reduzir desigualdades regionais no atendimento à população gaúcha.













