O governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria da Saúde (SES), anunciou que a vacinação contra a dengue passa a ser disponibilizada em todos os municípios gaúchos a partir deste mês de fevereiro de 2026. A medida atende a uma diretriz recente do Ministério da Saúde e visa ampliar a proteção de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, público-alvo da campanha nacional. A estratégia busca reduzir o impacto da doença em todo o território estadual, após períodos de alta incidência registrados nos últimos anos.
Até o momento, a imunização estava concentrada em 145 cidades selecionadas por critérios epidemiológicos. Com a universalização do acesso no Estado, a expectativa da SES é alcançar cerca de 630 mil jovens na faixa etária elegível. De acordo com as diretrizes técnicas, o esquema vacinal completo exige a aplicação de duas doses, com um intervalo de três meses entre elas, sendo fundamental o cumprimento do cronograma para garantir a eficácia da proteção.
Logística e distribuição das doses
A operacionalização da campanha teve início na primeira semana de fevereiro, com o abastecimento das cidades coordenado pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs). Segundo a Secretaria da Saúde, o estoque inicial conta com 61 mil doses que já estão sendo enviadas às regionais. A distribuição continuará de forma gradual, dependendo do envio de novos lotes por parte do governo federal.
As prefeituras locais são responsáveis por definir as datas e os postos de saúde onde o imunizante estará disponível, conforme o quantitativo recebido. A orientação das autoridades sanitárias é que os pais e responsáveis consultem os canais oficiais de seus respectivos municípios para confirmar o início do atendimento em suas comunidades.
Histórico e dados da imunização no estado
Desde o lançamento da estratégia nacional, em maio de 2024, o Rio Grande do Sul recebeu aproximadamente 262 mil doses. Os dados mais recentes da SES, consolidados em dezembro de 2025, apontam que 168 mil doses foram aplicadas até então, das quais 120 mil correspondem à primeira dose e 48 mil à segunda. A baixa adesão à dose de reforço é um ponto de atenção para as autoridades, que reforçam que a imunização incompleta compromete a resposta imunológica contra o vírus.
Em 2024, o Estado registrou seu pior momento epidemiológico, com 209 mil casos confirmados e 281 mortes. Em 2025, houve uma queda significativa na circulação viral, totalizando 44.029 casos e 52 óbitos. No grupo de 10 a 14 anos, foram 2.556 casos no ano passado, sem registro de mortes. Em 2026, até o início de fevereiro, o Estado contabiliza 60 casos confirmados, sendo oito deles na faixa etária alvo da campanha.
Novas tecnologias e perspectivas futuras
Atualmente, o Rio Grande do Sul utiliza a vacina Qdenga, fabricada pelo laboratório Takeda Pharma. No entanto, o cenário da imunização deve evoluir nos próximos meses com a chegada da Butantan-DV. Desenvolvido pelo Instituto Butantan, o novo imunizante é 100% nacional e possui a vantagem de ser aplicado em dose única.
A nova vacina já passa por fases de implementação em projetos-piloto em outros estados brasileiros e, conforme a produção aumentar, deverá ser integrada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). A expansão futura prevê o atendimento progressivo de outras faixas etárias, começando pelos adultos de 59 anos e descendo até os 15 anos, complementando as ações de controle do mosquito Aedes aegypti, que permanecem essenciais no combate à transmissão.












