Com a proximidade do Carnaval, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) de Santa Catarina emitiu um alerta oficial para que os foliões redobrem os cuidados preventivos durante as festividades em todo o estado. O objetivo é conter a disseminação de vírus, bactérias e fungos que encontram facilidade de transmissão no contato próximo e na troca de beijos entre o público, característica comum dos blocos e festas de rua.
A preocupação das autoridades sanitárias catarinenses recai, principalmente, sobre a mononucleose infecciosa, popularmente chamada de “doença do beijo”. Causada pelo vírus Epstein-Barr, a condição pode apresentar sintomas até 30 dias após a exposição, manifestando-se por meio de febre, dores pelo corpo, cansaço extremo e o surgimento de gânglios inchados (ínguas). A transmissão ocorre pela saliva, especialmente quando há pequenas lesões ou feridas ativas na boca, como nos casos de herpes labial.
De acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde, o infectologista da Diretoria de Vigilância Sanitária, Eduardo Campos, destaca que os cuidados devem ser contínuos. “Além da mononucleose e da herpes, outras infecções também podem ser transmitidas pelo contato direto com a saliva. Por isso, a recomendação é redobrar os cuidados durante as festas, evitar beijar pessoas com feridas visíveis na boca, manter a higiene adequada e, ao apresentar sintomas persistentes, procurar atendimento médico”, afirmou o especialista.
Riscos das infecções sexualmente transmissíveis
A atenção deve se estender também às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Patologias como sífilis, gonorreia e HPV podem ser transmitidas pelo beijo caso existam feridas ou lesões na cavidade oral. Os sinais de alerta incluem o aparecimento de manchas, bolhas, dor ou ardência nos lábios e na mucosa da boca.
Um dos principais desafios para o controle dessas doenças é o fato de que muitas ISTs são assintomáticas, o que pode retardar o diagnóstico e facilitar o contágio involuntário. Por esse motivo, a orientação da SES é que os cidadãos mantenham o calendário vacinal atualizado, com foco na proteção contra o HPV e as hepatites virais, além de realizarem testes rápidos regularmente.
Prevenção e assistência no SUS
Para garantir uma folia segura, a recomendação é que, em qualquer situação de exposição de risco, o cidadão procure imediatamente uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), um tratamento com medicamentos antirretrovirais que deve ser iniciado em até 72 horas após a possível exposição ao vírus HIV para ser eficaz.
A prevenção, aliada à observação constante de qualquer alteração no corpo, permanece como a estratégia mais eficaz para que os foliões aproveitem o Carnaval catarinense com responsabilidade e preservem o bem-estar coletivo após o término das festas.












