A Secretaria de Estado da Saúde (SES) de Santa Catarina intensifica, durante este mês de março, as ações da campanha Março Lilás para conscientizar a população sobre a prevenção e o combate ao câncer de colo do útero em todo o território catarinense. A iniciativa busca reduzir a incidência da doença, que é o terceiro tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil, por meio do incentivo à vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) e da realização de exames periódicos na rede pública. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) citados pela SES, a estimativa é de que Santa Catarina registre cerca de 1.030 novos casos da enfermidade por ano, sendo 70 deles apenas em Florianópolis.
Papel da vacinação contra o HPV na saúde pública
O câncer cervical está diretamente relacionado à infecção persistente por subtipos oncogênicos do vírus HPV. Embora o sistema imunológico costume eliminar o vírus na maioria das vezes, a permanência da infecção pode originar lesões que evoluem para tumores malignos. De acordo com informações do Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON), unidade do Governo do Estado gerida pela FAHECE, a imunização é a ferramenta mais eficaz para romper esse ciclo de transmissão e adoecimento.
“A vacinação contra o HPV representa um dos maiores avanços da saúde pública na prevenção desse tipo de câncer. Ao incentivarmos a imunização, especialmente entre crianças e adolescentes, estamos investindo no futuro e protegendo vidas. Como hospital público de referência em oncologia em Santa Catarina, o CEPON reforça seu compromisso com a promoção da informação, da prevenção e do acesso às políticas de saúde”, explica o diretor-geral do CEPON, Dr. Alvin Laemmel.
Ampliação do acesso à vacina no SUS
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde (UBS) para meninos e meninas com idade entre 9 e 14 anos. Além disso, o Ministério da Saúde estabeleceu um prazo ampliado até o primeiro semestre de 2026 para que jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam as doses possam realizar o resgate vacinal. O imunizante também é acessível para adultos de até 45 anos em condições clínicas específicas, como pacientes oncológicos, transplantados e pessoas vivendo com HIV/Aids.
A gerente técnica do CEPON, Dra. Mary Anne Taves, destaca que a gratuidade e a eficácia da vacina são pilares para o controle da neoplasia. “O câncer do colo do útero pode ser evitado por meio da vacinação contra o HPV, principal causador da doença. Disponível gratuitamente no SUS, a vacina previne a infecção e reduz significativamente o risco de complicações e cânceres associados ao vírus”, afirma a médica.
Diagnóstico precoce e rede de assistência em Santa Catarina
Além da vacinação, a SES reforça que o exame preventivo Papanicolau é essencial para identificar alterações celulares precocemente, antes que se tornem cancerígenas. Nos estágios iniciais, a doença costuma ser assintomática, mas sinais como dor pélvica, corrimento com odor atípico e sangramento vaginal anormal podem surgir em fases avançadas. Outros fatores de risco citados pela fonte incluem o tabagismo, a baixa imunidade e a ausência de preservativos em relações sexuais.
Para garantir o suporte às pacientes diagnosticadas, o Estado de Santa Catarina mantém uma rede de assistência estruturada em 21 hospitais habilitados pelo Ministério da Saúde. Somente no CEPON, em 2025, foram atendidas 112 mulheres com câncer de colo do útero. A estrutura estadual oferece desde o diagnóstico inicial até tratamentos complexos que envolvem cirurgias, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapia hormonal, definidos conforme o estágio da doença de cada paciente.











