O Governo de Santa Catarina ampliou o atendimento de mulheres que passaram por mastectomia em decorrência do câncer de mama, com o reforço de recursos estaduais para cirurgias de reconstrução mamária com implante de prótese. A medida, anunciada dentro das ações do Outubro Rosa, busca aumentar a oferta de procedimentos, reduzir a fila de espera e garantir a continuidade do cuidado oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A estratégia contempla 17 serviços de Alta Complexidade em Oncologia no Estado, que já estão realizando os atendimentos. Atualmente, 150 mulheres foram identificadas para a realização da cirurgia eletiva. A regulação ocorre conforme a ordem cronológica de inclusão no Sistema de Regulação do Estado (Sisreg), com prioridade para os casos mais antigos.
Um dos principais pontos da iniciativa é o incentivo financeiro estadual destinado à reconstrução mamária pós-mastectomia com implante. Por meio da Tabela Catarinense e do prêmio estadual, o Governo de Santa Catarina acrescenta R$ 5.078,08 aos R$ 500 previstos na tabela do SUS para o procedimento. O valor estadual é mais de dez vezes superior ao repasse federal estabelecido para a cirurgia.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, a reconstrução deve ser considerada parte do tratamento integral das pacientes que enfrentaram o câncer de mama. De acordo com ele, os recursos possibilitam ampliar a capacidade dos hospitais, melhorar as condições para a realização das cirurgias e contribuir para diminuir a fila de espera.
A iniciativa, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, começou a ser estruturada em 2023, por orientação do governador Jorginho Mello, e vem sendo ampliada para garantir maior acesso ao procedimento pela rede pública.
Número de cirurgias cresce em Santa Catarina
Dados do Ministério da Saúde mostram que Santa Catarina realizou 179 reconstruções mamárias em 2022. Em 2025, foram 396 procedimentos, representando aumento de 121% no período.
Em 2026, até julho, já haviam sido realizadas 217 cirurgias. A ampliação do financiamento estadual pretende dar melhores condições aos hospitais habilitados para aumentar a quantidade de procedimentos e avançar na redução da demanda reprimida.
A reconstrução mamária integra a linha de cuidado das pacientes submetidas à mastectomia parcial ou total. Quando existem condições técnicas, o procedimento pode ser feito durante a própria cirurgia de retirada da mama, evitando a necessidade de uma nova intervenção posteriormente.
Procedimento também contribui para recuperação emocional
Além dos aspectos físicos, a reconstrução mamária pode representar uma etapa importante para a autoestima e a retomada da identidade de mulheres que enfrentaram o câncer.
A moradora de Florianópolis Graziela Ventura, paciente do Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), passou pelo procedimento e relata que o período após o diagnóstico foi marcado por exames, consultas, cirurgias, dores, efeitos colaterais e desgaste emocional.
Ela destaca, porém, que recebeu acolhimento durante o tratamento e encontrou apoio ao longo do processo. Após a reconstrução, Graziela descreveu o momento como um recomeço e afirmou que voltou a se reconhecer diante do espelho.
A experiência também fez com que ela passasse a incentivar outras mulheres que ainda enfrentam o tratamento. Para Graziela, mesmo diante das dificuldades, é possível superar as etapas da doença com fé, força e coragem.
Com a ampliação dos recursos, o Governo de Santa Catarina reforça, durante o Outubro Rosa, uma política de atenção que busca acompanhar as pacientes desde o diagnóstico e tratamento do câncer de mama até a recuperação e reconstrução após a doença.












