A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES) distribuiu, desde fevereiro de 2026, 5.173 doses do anticorpo monoclonal nirsevimabe em todas as regiões do estado para prevenir formas graves do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em bebês prematuros e crianças com comorbidades. A iniciativa faz parte de uma estratégia coordenada pela Vigilância Epidemiológica para ampliar o acesso a tecnologias modernas de imunização e reduzir a morbidade hospitalar na primeira infância durante os períodos de maior circulação viral.
Critérios de elegibilidade e grupos prioritários
Conforme as diretrizes técnicas estabelecidas pela SES e o Ministério da Saúde, o nirsevimabe é indicado para dois grupos específicos. O primeiro abrange bebês prematuros nascidos com até 36 semanas e 6 dias de gestação, com oferta mantida de forma contínua. O segundo grupo contempla crianças menores de 24 meses que apresentam condições clínicas de risco, como cardiopatias congênitas, displasia broncopulmonar, imunodeficiências, síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares ou anomalias congênitas das vias aéreas.
O diretor da Vigilância Epidemiológica (DIVE), João Augusto Fuck, explica que a medida representa um salto qualitativo no cuidado pediátrico estadual. “O nirsevimabe é um avanço importante na proteção de crianças mais vulneráveis, especialmente os prematuros, reduzindo o risco de internações graves causadas pelo VSR. É uma estratégia que se soma a aplicação da vacina contra o VSR em todas as gestantes, com potencial para reduzir o impacto desta infecção nas crianças pequenas”, destaca o diretor.
Logística de distribuição e cobertura municipal
Em um período de aproximadamente três meses, o governo catarinense enviou aos municípios 3.406 doses de 50 mg e 1.731 doses de 100 mg. O balanço oficial da Secretaria de Estado da Saúde indica que 223 municípios já registraram a aplicação do imunobiológico, que integra o Programa Nacional de Imunizações (PNI). A definição da dose aplicada ocorre conforme o peso da criança: lactentes com menos de 5 kg recebem dose única de 50 mg, enquanto aqueles com peso igual ou superior a 5 kg recebem 100 mg.
Para crianças com comorbidades que entram na segunda temporada de circulação do vírus, a recomendação técnica prevê a aplicação de duas doses simultâneas de 100 mg. A SES esclarece que o anticorpo não é destinado ao público infantil geral, seguindo restritamente os protocolos de vulnerabilidade definidos nacionalmente.
Ações complementares e vacinação de gestantes
A proteção contra o VSR em Santa Catarina também ocorre de forma indireta por meio da imunização de gestantes. A vacina está disponível na rede pública para mulheres a partir da 28ª semana de gravidez, permitindo a transferência de anticorpos para o feto. Essa imunização passiva garante proteção ao recém-nascido durante os primeiros seis meses de vida, período de maior risco para complicações respiratórias.
Estruturação da rede de atendimento
A implementação da estratégia em Santa Catarina foi precedida por um mapeamento das maternidades e pela organização da Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE/SC). João Augusto Fuck reforça que o sucesso da operação depende da capilaridade do sistema de saúde. “A implementação do nirsevimabe exige uma atuação integrada entre estado e municípios. Nosso objetivo é garantir que as doses cheguem a quem mais precisa, com segurança e agilidade”, afirma.
O monitoramento das aplicações é realizado via Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), permitindo o acompanhamento em tempo real da cobertura vacinal e a regulação do estoque junto ao Ministério da Saúde e ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).











