O estado de Santa Catarina registrou a criação de 19 mil novos postos de trabalho formal em janeiro de 2026, consolidando-se como a unidade da federação com o maior saldo positivo no Brasil durante o período. Os dados, divulgados nesta terça-feira (3) pelo Ministério do Trabalho e Emprego por meio do Novo Caged, indicam que o desempenho catarinense foi impulsionado majoritariamente pela indústria, que respondeu por 15,9 mil novas vagas, refletindo a resiliência do mercado interno e o dinamismo de setores específicos como a construção civil.
Desempenho e desafios da indústria catarinense
Apesar do saldo positivo, uma análise técnica realizada pelo Observatório FIESC aponta que o indicador atual demonstra uma desaceleração quando comparado a janeiro de 2025, período em que o volume de contratações foi superior. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme, observa que fatores macroeconômicos têm pesado sobre o setor produtivo. “A indústria catarinense tem se mostrado resiliente, mas o movimento de desaceleração da economia frente ao cenário internacional incerto e à elevada taxa de juros e seus reflexos na concessão de crédito estão sendo sentidos pelo industrial”, explica Seleme.
Segmentos em destaque e fatores de crescimento
Dentro do panorama industrial, a construção civil destacou-se com a abertura de 4,2 mil vagas. Segundo o Observatório FIESC, a atratividade do litoral e a valorização imobiliária regional conferem ao estado uma dinâmica distinta do restante do país, mitigando os efeitos da restrição de crédito. No setor têxtil, de vestuário, couro e calçados, foram criados 3,5 mil postos de trabalho, resultado atribuído à estabilidade no consumo das famílias.
O economista Arthur Calza ressalta que, embora os números do segmento têxtil sejam positivos, eles ficaram abaixo do registrado no ano anterior devido às dificuldades no acesso ao crédito. Já o setor de alimentos gerou 1,5 mil vagas, impulsionado pelas exportações de aves e suínos e pelo aumento da renda real. O segmento de madeira e móveis apresentou resultado semelhante, com 1,5 mil novos empregos, sinalizando uma recuperação através da conquista de novos mercados internacionais após o período de tarifas elevadas.
Resultados em outros setores e panorama nacional
Além da indústria, o segmento de serviços contribuiu com 3,5 mil novas vagas em janeiro, enquanto a agropecuária registrou saldo positivo de 1,4 mil postos. Em contrapartida, o setor de comércio apresentou o fechamento de 1,8 mil vagas, movimento que a FIESC classifica como um efeito sazonal esperado para o primeiro mês do ano.
No cenário nacional, o Brasil encerrou janeiro com a criação total de 112.334 vagas formais. No ranking por estados, Santa Catarina é seguida por Mato Grosso (18.731), Rio Grande do Sul (18.421) e Paraná (18.306). No recorte regional, o Sul do país liderou a geração de empregos com 55,7 mil novas oportunidades, seguido pelo Centro-Oeste (35,4 mil) e Sudeste (13,3 mil).













