SaúdeSimpósio debate autismo na vida adulta e envelhecimento

Simpósio debate autismo na vida adulta e envelhecimento

Acadêmicos, especialistas, pessoas autistas e seus familiares participam, nesta sexta-feira e sábado (10 e 11 de abril), da 7ª edição do Simpósio LAND, realizado no auditório da Associação Empresarial de Criciúma (Acic). O evento, organizado pelo Laboratório de Pesquisa em Autismo e Neurodesenvolvimento (LAND) da Unesc, tem como objetivo discutir os desafios e as potencialidades do desenvolvimento, da vida adulta e do envelhecimento no espectro autista sob o tema “Crescer no Espectro: Uma jornada além do diagnóstico”.

Segundo informações da Unesc, a iniciativa conta com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) e busca integrar o conhecimento científico às necessidades da comunidade. Durante a abertura oficial, a reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, ressaltou a importância de ampliar o debate para as fases maduras da vida. “A pauta do autismo não deve ficar restrita a um único lugar. É preciso fortalecer redes para transformar documentos em prática, unindo ciência, tecnologia, inovação e pessoas engajadas, a fim de apoiar quem mais precisa: aqueles diagnosticados com o espectro autista e seus familiares”, afirmou a reitora.

Integração entre ciência e comunidade

A programação do simpósio aborda tópicos como relações afetivas, inserção no mercado de trabalho, dinâmica familiar, autonomia e qualidade de vida. Para a pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação, Inovação e Extensão da Unesc, Vanessa Moraes de Andrade, o evento cumpre o papel social da universidade ao levar a investigação científica para além dos laboratórios. “Na prática estamos trabalhando para tentar investigar e entender um pouquinho mais a fundo alguns assuntos como este, que precisam e merecem avanços científicos e troca de experiências”, comentou.

A coordenadora do LAND e organizadora do evento, Cinara Ludvig Gonçalves, destacou que a presença de participantes de toda a região valida a necessidade de informações qualificadas. “Há uma preocupação constante em trazer palestras com profissionais que têm respaldo científico e propriedade no que falam, especialmente em tempos de tantas informações sem validação”, explicou Cinara.

Visibilidade para adultos e idosos no espectro

Um dos pontos centrais desta edição é a visibilidade dada a pessoas autistas que já ultrapassaram a fase infantil, período que costuma concentrar a maior parte das políticas públicas e estudos. Ana Paula Rabello Gonçalves, pedagoga e representante da comunidade autista, relatou que a abordagem de temas como sexualidade e envelhecimento traz alento para quem está no espectro. “Muito se fala do autismo na fase infantil e na intervenção precoce, e quando o Land traz abordagens como sexualidade, distúrbios do sono e questões da vida adulta, que afetam tanto a qualidade de vida, isso nos dá esperança e diminui um pouco o medo do futuro”, pontuou.

A necessidade de políticas públicas e preparo educacional também foi reforçada durante as discussões. Ana Losso enfatizou que a sociedade precisa estar preparada para o acolhimento. “Por muito tempo, essa comunidade foi marginalizada na sociedade, invisibilizada, mas hoje, graças a Deus, a gente está assistindo aí a inclusão na sociedade, que é o direito de todo cidadão”, salientou.

Inclusão na prática acadêmica

Para a coordenadora do PPGCS, Josiane Budni, o papel da universidade é fundamental para que a inclusão ocorra de forma efetiva. “A inclusão da pessoa com espectro autista é extremamente importante e já passou da hora de acontecer de fato, de fazermos algo. E momentos como esse têm que partir da Universidade”, defendeu.

Expressão artística e encerramento

Além das atividades teóricas, o evento abriga a exposição “3ª Arte Dentro do Espectro”, que exibe obras produzidas por artistas autistas. A mostra busca apresentar as percepções e sensibilidades singulares dos expositores e permanece aberta para visitação durante todo o simpósio. O cronograma de sábado prevê palestras, apresentações artísticas e premiações de trabalhos acadêmicos até as 18h.

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