O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), utilizou suas redes sociais na noite desta segunda-feira (16), para publicar um vídeo onde questiona a imparcialidade das instituições brasileiras e critica a presença de elementos de propaganda política em desfiles de Carnaval. No pronunciamento, o governador comparou o rigor aplicado ao ex-presidente Jair Bolsonaro com o que chamou de “liberdade elástica” concedida a manifestações favoráveis ao atual governo federal.
A crítica central de Tarcísio de Freitas baseia-se na tese do uso seletivo da lei. Segundo o governador, o sistema político brasileiro opera sob a máxima de “aos amigos, os favores; aos inimigos, a lei”. Ele citou a inelegibilidade de Bolsonaro, decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político em 2022, para contrastar com a recente exibição de símbolos e jingles partidários durante os desfiles de escolas de samba, o que, em sua visão, configuraria propaganda antecipada.
Comparativo institucional e críticas ao Carnaval
Durante a declaração, o governador relembrou episódios como a proibição de documentários da produtora Brasil Paralelo durante o período eleitoral, classificando a medida como um cerceamento desproporcional. Para Tarcísio, o Carnaval deste ano — especificamente desfiles que apresentaram sátiras religiosas e referências diretas ao Partido dos Trabalhadores (PT) — abandonou a tradição da crítica histórica para se tornar “propaganda política descarada”.
O governador mencionou a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na avenida e a utilização de refrãos que remetem a campanhas petistas. “Se o desfile não foi propaganda antecipada, o que será então?”, questionou, alertando para o que define como uma “disfuncionalidade institucional” que prejudica a visão de futuro do país.
Crise fiscal e gestão pública
Além da pauta eleitoral, Tarcísio de Freitas direcionou críticas à condução econômica e administrativa da União. Ele afirmou que o Estado brasileiro está “capturado” e falha em discutir temas fundamentais como a produtividade e a qualidade das instituições. O governador ironizou a ausência de alas carnavalescas que abordassem escândalos de corrupção passados, citando nominalmente episódios como o Mensalão e o Petrolão, além de rombos em fundos de pensão como o Postalis.
O chefe do Executivo paulista encerrou o vídeo defendendo a necessidade de um sistema de “freios e contrapesos” que funcione de forma equânime, alertando para uma “crise fiscal contratada” caso a gestão pública não se desvincule do patrimonialismo e da captura do orçamento público.












