As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos passaram a atingir US$ 6,6 bilhões em produtos exportados pelo Brasil, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). As medidas entraram em vigor em julho de 2026 e foram adotadas pelo governo norte-americano com base em investigações comerciais, elevando a tributação sobre parte das mercadorias brasileiras e aumentando as incertezas nas relações comerciais entre os dois países.
De acordo com o Mdic, a tarifa acumulada de 37,5% alcança 16,5% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a US$ 6,6 bilhões. O percentual resulta da soma de uma sobretaxa de 25%, anunciada anteriormente pelo governo do presidente Donald Trump, com uma nova alíquota adicional de 12,5%, divulgada nesta semana.
Entre os produtos impactados pela cobrança estão máquinas e equipamentos, madeiras, gorduras e óleos, calçados, móveis e itens do setor de confecções.
Segundo o levantamento do governo brasileiro, as novas medidas abrangem 23,1% das exportações para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, 52,7% das vendas externas, equivalentes a US$ 21,3 bilhões, permanecem sem as novas sobretaxas. Outros 24,2% seguem sujeitos às tarifas setoriais já existentes da chamada Seção 232, enquanto 4,7% recebem apenas a alíquota de 12,5% e 1,9% são tributados exclusivamente em 25%.
Entre os produtos que continuam livres das novas sobretaxas estão café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, ferro fundido, boa parte da celulose e diversos produtos químicos.
Segundo a Agência Brasil, as novas tarifas foram estabelecidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que permite ao governo norte-americano aplicar medidas de retaliação após investigações sobre práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país. No caso brasileiro, uma investigação específica resultou na sobretaxa de 25%, enquanto outra, voltada ao combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos, levou à aplicação da tarifa adicional de 12,5%.
Já a Seção 232, prevista na Lei de Expansão Comercial de 1962, trata de restrições relacionadas à segurança nacional dos Estados Unidos e continua sendo utilizada para setores como aço e alumínio. Conforme o Mdic, os produtos enquadrados nessa regra não acumulam as novas sobretaxas da Seção 301.
As medidas começaram a valer em julho de 2026, com exceção das mercadorias que já estavam embarcadas antes da entrada em vigor das novas regras e chegaram aos Estados Unidos dentro do prazo definido pelo governo norte-americano.
O anúncio ocorre em um momento de desaceleração no comércio bilateral. Após registrar exportações recordes de US$ 40,4 bilhões em 2024, o Brasil vendeu US$ 37,7 bilhões aos Estados Unidos em 2025 e manteve a tendência de queda em 2026. No primeiro semestre deste ano, as exportações somaram US$ 17,4 bilhões, redução de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os maiores recuos foram registrados nas vendas de petróleo bruto, com queda de 30,4%, e de produtos semiacabados de ferro e aço, que diminuíram 21,7%. Com isso, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. As importações brasileiras de produtos norte-americanos também recuaram, provocando retração de 12,8% na corrente de comércio entre os dois países.
Na avaliação do Mdic, a ampliação das tarifas aumenta o cenário de incerteza para o comércio bilateral, embora mais da metade das exportações brasileiras para os Estados Unidos continue sem as novas sobretaxas específicas aplicadas com base na Seção 301.













