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SaúdeUnesc amplia debate sobre fibromialgia no Fevereiro Roxo

Unesc amplia debate sobre fibromialgia no Fevereiro Roxo

A campanha Fevereiro Roxo mobiliza o setor de saúde em todo o país para conscientizar a população sobre doenças crônicas incuráveis, mas controláveis, com destaque para a fibromialgia. Em Criciúma, o Ambulatório de Atenção à Pessoa com Fibromialgia (Amasf), da Unesc, atua no acolhimento de pacientes que enfrentam dores difusas e fadiga persistente. O objetivo da mobilização em 2026, ano em que o serviço completa seis anos, é promover o diagnóstico precoce e garantir que os pacientes tenham acesso ao suporte multidisciplinar necessário para a manutenção da qualidade de vida.

Abordagem clínica e fatores de risco

Diferente de patologias detectadas por exames de sangue ou imagem, a fibromialgia possui um diagnóstico estritamente clínico, baseado na escuta e no histórico do paciente. Segundo informações da Unesc, a condição é frequentemente desencadeada por fatores emocionais e hábitos de vida.

“O estresse crônico está entre os principais gatilhos. Além disso, a depressão mal conduzida aumenta o risco. A doença também dialoga com fatores hormonais, sedentarismo e histórico de traumas. Dor difusa e espalhada pelo corpo, sono não reparador e fadiga com mínimos esforços, por pelo menos três meses, compõem o quadro recorrente”, explica a fisioterapeuta e pesquisadora do Amasf, Kálita Nunes.

Prevalência e incidência no público feminino

Estimativas indicam que a fibromialgia afeta entre 2,5% e 5% da população nacional. Em termos locais, estima-se que cerca de seis mil pessoas convivam com a doença em Criciúma. Os dados apontam uma disparidade de gênero significativa, com uma incidência de três mulheres para cada homem diagnosticado.

De acordo com Kálita Nunes, essa diferença está ligada a contextos sociais e biológicos. “Entre os motivos, estão sobrecarga de funções, dupla jornada e contextos de vida adversos. Mulheres que trabalham fora, cuidam da casa e dos filhos, muitas vezes sem rede de apoio, acumulam fatores de risco. Estudos mostram, ainda, relação com fatores hormonais. Quando isso se soma a sedentarismo e doenças mal tratadas, o patamar de vulnerabilidade aumenta”, afirma a pesquisadora.

Rede de atendimento e suporte multidisciplinar

A ausência de tratamento adequado pode comprometer severamente a capacidade funcional do indivíduo, impactando o desempenho profissional e as relações sociais. Para mitigar esses efeitos, o Amasf defende um modelo de atendimento que integra diversas especialidades, como psicologia, fisioterapia, nutrição, enfermagem e farmácia.

“Não existe um vírus ou bactéria que cause fibromialgia. O diagnóstico é clínico. Por isso, o profissional precisa conduzir uma entrevista mais longa e detalhada”, esclarece Kálita. Ela ressalta que o tratamento mais resolutivo ocorre quando a equipe dialoga entre si para ajustar as condutas de cada caso. Na Unesc, os serviços incluem desde hidroterapia e exercícios orientados até grupos terapêuticos e consultas odontológicas. Até 2025, o ambulatório já havia registrado mais de 10 mil atendimentos.

Legislação e direitos dos pacientes

O cenário para os portadores da doença no Brasil avançou com a promulgação da Lei 15.176/2025. Em vigor desde janeiro, a legislação reconhece a fibromialgia como uma condição que pode configurar deficiência, permitindo o acesso a direitos específicos após avaliação biopsicossocial. Entre os benefícios previstos estão a prioridade em filas, isenções tributárias e possibilidades de aposentadoria especial.

Kálita Nunes reforça que a informação é a principal ferramenta contra o estigma social. “Cada caso precisa de avaliação. Alguns pacientes perdem capacidade laboral e renda, o que agrava a vulnerabilidade. Benefícios como prioridade em filas e transporte para tratamento dependem dessa análise. Perguntar, escutar e estar junto faz diferença. O preconceito ainda existe, embora a dor seja real”, conclui.

Pacientes que apresentam os sintomas devem procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para os exames preliminares e o devido encaminhamento. Informações adicionais sobre os serviços do Amasf podem ser obtidas pelo telefone (48) 3431-4591.

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