A Unesc apresentou na segunda-feira (24), no Centro de Inovação Criciúma (CRIO), em Criciúma, o diagnóstico estratégico do setor metalmecânico do Sul catarinense, desenvolvido pelo InovaSul: Transformando Setores para orientar ações de produtividade, inovação, qualificação profissional, integração da cadeia e expansão de mercados. Segundo a Universidade, o estudo combina indicadores econômicos e sociais com a percepção de empresários e profissionais para transformar desafios da indústria em oportunidades de desenvolvimento regional.
O encontro marcou uma nova etapa do trabalho conduzido pela Agência de Desenvolvimento, Inovação e Transferência de Tecnologia (Aditt) e pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e de Inovação da Unesc. Além do diagnóstico, foram apresentadas diretrizes reunidas em uma Vitrine de Oportunidades, criada para apoiar empresas e instituições na construção de ações a partir das necessidades identificadas.
“Buscamos identificar tendências econômicas emergentes capazes de promover inovação, competitividade e desenvolvimento sustentável. A informação é matéria-prima essencial para decisões estratégicas, permitindo que cada empreendedor, gestor ou instituição planeje e inove em produtos, processos e novos negócios”, destacou a gerente de Inovação e Empreendedorismo da Unesc, Elenice Engel.
Diagnóstico combina dados e escuta do setor
A construção do estudo começou com a análise de dados de diferentes bases e pesquisas, utilizada para traçar cenários internacionais, nacionais e regionais. Depois dessa etapa, representantes da indústria participaram de mesas de trabalho e de uma escuta qualitativa sobre dificuldades, projetos, demandas e expectativas do segmento.
As informações obtidas junto às empresas foram posteriormente cruzadas com os dados levantados pela equipe técnica do Observatório. A partir desse processo foram elaboradas as diretrizes apresentadas ao setor.
“Vocês estiveram conosco discutindo em mesas de trabalho. Foi uma escuta qualitativa, a partir da fala de vocês, para que nós também conhecêssemos aquilo que passa nas mesas das empresas. A partir disso, nossos cientistas de dados trabalharam em laboratório, fizeram a análise desse material e hoje trazem as diretrizes e essa Vitrine de Oportunidades”, explicou Elenice.
Vitrine de oportunidades orienta próximos passos
A proposta é fazer com que o diagnóstico não permaneça apenas como levantamento de informações. A Vitrine de Oportunidades busca indicar possibilidades de atuação conjunta entre empresas, instituições, pesquisadores, estudantes e outros participantes do ecossistema regional de inovação.
Entre os encaminhamentos estão a definição de prioridades estratégicas, o desenvolvimento de planos de ação, o fortalecimento de parcerias e da cadeia regional e a busca por novos mercados.
Produtividade, integração e governança ganham prioridade
As diretrizes apresentadas pelo coordenador do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e de Inovação da Unesc, professor doutor Afonso Valau de Lima Junior, foram organizadas em três frentes consideradas estratégicas para o futuro da indústria metalmecânica.
A primeira envolve produtividade, tecnologia e modernização industrial. O objetivo é estimular melhorias nos processos produtivos e apoiar a transformação tecnológica das empresas, colocando a tecnologia a serviço da eficiência.
“A tecnologia não é um fim. Ela é um meio para potencializar a produtividade, melhorar processos e ampliar a competitividade das empresas”, destacou Afonso.
A segunda frente trata da competitividade, da integração produtiva e da ampliação de mercados. A proposta é fortalecer a relação entre empresas, fornecedores e instituições, criando condições para maior cooperação dentro da cadeia e para a expansão da presença das indústrias em novos mercados.
O terceiro eixo está relacionado à governança setorial. A intenção é criar uma estrutura capaz de organizar prioridades, articular os diferentes participantes e transformar as diretrizes do diagnóstico em planos de ação.
Integração pode ampliar competitividade
A articulação regional ganha importância diante do peso econômico da indústria metalmecânica para a Amrec e a Amesc. O segmento gera empregos, movimenta fornecedores e mantém relações com setores como construção civil, energia, transporte e agronegócio.
Empresas instaladas em municípios como Criciúma, Içara e Nova Veneza também atuam em mercados fora da região, o que amplia a necessidade de estratégias voltadas à competitividade, à cooperação empresarial e à inserção em novos mercados.
Mão de obra e novas gerações entram na agenda
Além da modernização de máquinas e processos, a disponibilidade de profissionais apareceu entre os principais desafios relatados pelos representantes da indústria.
Segundo Afonso, a discussão não envolve somente a falta de mão de obra qualificada. As empresas também demonstraram preocupação com a capacidade de atrair e manter as novas gerações no ambiente industrial.
“Precisamos avançar na qualificação, mas também na capacidade de atrair e reter novos profissionais. Para isso, é fundamental termos um setor cada vez mais competitivo, moderno e atrativo para as novas gerações”, pontuou Afonso.
O tema está diretamente relacionado à transformação do ambiente de trabalho e à necessidade de tornar as carreiras industriais mais atrativas para profissionais que chegam ao mercado.
O presidente do Sindimetal, Aloir Librelato, também destacou a mão de obra entre as preocupações apresentadas pelos empresários durante a construção do diagnóstico. Para ele, mesmo diante de cenários econômicos desafiadores, as empresas precisam manter capacidade de adaptação e tomar decisões de forma planejada.
Inovação vai além da adoção de tecnologia
Na avaliação da Unesc, inovar não significa apenas adquirir novas máquinas ou sistemas. A transformação também pode ocorrer na gestão, nos produtos, na organização dos processos, na relação com clientes e na criação de novos modelos de negócio.
Nesse cenário, a aproximação entre Universidade e empresas aparece como uma possibilidade para acelerar o desenvolvimento de soluções. A instituição já utiliza desafios reais de organizações em atividades que mobilizam estudantes e podem resultar em projetos ou novos negócios.
“Às vezes, um problema que a empresa enfrenta pode ser o ponto de partida para inovar e transformar uma dificuldade em uma grande oportunidade. Hoje, temos startups aqui justamente para conversar com vocês, pensar em inovação, novos negócios e soluções para essas demandas”, explicou Elenice.
Sustentabilidade passa a integrar estratégia empresarial
O diagnóstico também coloca a sustentabilidade entre os temas relevantes para a competitividade do setor. A abordagem inclui as dimensões ambiental, econômica, financeira e social.
Produção mais limpa, melhor gestão de resíduos e aumento da eficiência dos processos estão entre as possibilidades apontadas para transformar obrigações e dificuldades operacionais em redução de desperdícios, melhoria de desempenho e geração de valor.
Cases mostram soluções que já chegaram ao mercado
Após a apresentação das diretrizes, empresas e startups compartilharam experiências relacionadas à inovação e à transformação de desafios em negócios.
O engenheiro Joacirton Rosso apresentou a trajetória da Synter, empresa que nasceu em Forquilhinha e passou por um processo de evolução de seus produtos e soluções. O case mostrou como uma indústria tradicional pode incorporar novas tecnologias e adaptar sua atuação às mudanças do mercado.
A Redrive, representada por Wesley Schefer, coordenador de desenvolvimento de produtos tecnológicos, apresentou uma plataforma voltada à prospecção, vendas e engajamento por meio da comunicação automatizada pelo WhatsApp.
“A comunicação é o combustível da venda”, destacou Wesley durante a apresentação.
Na área ambiental, o engenheiro Luiz Henrique Rosa da Silva apresentou a e-Licencie. A empresa atua com gestão ambiental estratégica e propõe o uso de ferramentas de controle e gestão para melhorar processos, apoiar a conformidade das empresas e transformar a área ambiental em parte da estratégia dos negócios.
Redrive e e-Licencie integram o ambiente do Centro de Inovação de Criciúma. O evento também apresentou iniciativas ligadas ao ecossistema da Unesc, como o Unesc Labs e projetos desenvolvidos no Parque Científico e Tecnológico da Universidade, o Iparque.
Inova Sul atua em diferentes cadeias produtivas
O diagnóstico da indústria metalmecânica integra uma agenda mais ampla do Inova Sul, iniciativa da Unesc desenvolvida pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e de Inovação e pela Aditt, com fomento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O projeto contempla diferentes setores produtivos e busca identificar tendências econômicas, oportunidades de inovação em produtos e processos e possibilidades para novos negócios nas regiões da Amrec e Amesc.
A estratégia é aproximar empresas, Universidade e instituições para fortalecer a competitividade regional e construir ações que conciliem desenvolvimento econômico, inovação e sustentabilidade.












