A Unesc celebra, nesta quarta-feira (11/02), o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, destacando o papel fundamental de suas pesquisadoras no avanço do conhecimento. Segundo dados da Instituição, a Universidade conta atualmente com 45 pesquisadoras docentes, 298 mestrandas e doutorandas, além de 195 estudantes na Iniciação Científica. O objetivo da data é dar visibilidade à presença feminina na academia e incentivar novas gerações a ingressarem na carreira científica.
Para a reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes, a presença de uma equipe feminina robusta fortalece o compromisso da Instituição com o desenvolvimento social. “A Unesc tem direcionado seus esforços para promover o desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida da sociedade por meio de investimentos consistentes em ciência e pesquisa. A presença de mulheres dedicadas, talentosas e que se destacam em suas áreas fortalece ainda mais esse compromisso. Elas não apenas contribuem para a formação de estudantes e orientandos, mas também inspiram novas gerações, abrindo caminhos e ampliando horizontes na ciência”, destaca.
A pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão, Vanessa Moraes de Andrade, reforça que o estímulo deve começar cedo. “A curiosidade, a criatividade e o pensamento crítico não têm gênero. Quando uma menina acredita que a ciência também é um lugar para ela, ampliamos possibilidades, fortalecemos a pesquisa e construímos uma sociedade mais diversa e inovadora”, afirma Vanessa.
Da curiosidade infantil ao doutorado em botânica
A trajetória de Júlia Gava Sandrini, de 24 anos, exemplifica como o interesse pela natureza pode se transformar em profissão. Sua jornada científica ganhou fôlego na sexta fase da graduação em Biologia, no Herbário Pe. Dr. Raulino Reitz. “Foi ali que percebi que aquele era o lugar onde eu queria estar”, relembra Júlia.
Em 2022, ela iniciou uma pesquisa sobre as plantas da Serra do Rio do Rastro, tema que se estendeu ao mestrado concluído em 2025. Durante o estudo, foram registradas 317 espécies nos paredões rochosos, sendo 20 ameaçadas de extinção. “Além da paisagem impressionante, a Serra abriga uma flora única e extremamente sensível, que muitas vezes passa despercebida”, ressalta a pesquisadora.
Para aproximar o conhecimento da comunidade, Júlia criou o livro de divulgação científica “Flora na Serra do Rio do Rastro”, com a personagem Flora, uma menina cientista. “A ideia foi tornar o conteúdo acessível e, ao mesmo tempo, convidar as meninas a se reconhecerem na história. A Flora mostra que a ciência é um caminho possível”, explica. Atualmente no doutorado, ela incentiva futuras cientistas: “Sigam o que desperta empolgação e sentido. A ciência se torna muito mais prazerosa quando é movida pela curiosidade e pela paixão”.
Educação e resistência na trajetória acadêmica
Com quase 30 anos de atuação, Giani Rabelo, docente do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Unesc, encara a ciência como um espaço de resistência e transformação. Formada em Serviço Social, foi no mestrado que consolidou seu desejo de investigar as teorias que explicam a sociedade. Sua trajetória é marcada pela pesquisa sobre a história das mulheres, memória e patrimônio educativo.
Um dos marcos de sua carreira foi o desafio de conciliar a maternidade com a alta performance acadêmica. Giani finalizou o mestrado com uma filha pequena e enfrentou o doutorado grávida e, posteriormente, com um filho recém-nascido, realizando viagens frequentes para o Rio Grande do Sul enquanto também atuava na Secretaria de Educação de Criciúma.
Hoje, ela utiliza novas linguagens para difundir o conhecimento, como o canal “Memórias e Histórias da Educação” no YouTube. Para a pesquisadora, a ocupação de espaços historicamente masculinos é fundamental. “Romper barreiras de gênero é essencial, já que os papéis do masculino e do feminino são construções sociais que podem, e devem, ser desconstruídas para reduzir desigualdades”, pontua Giani. Ela reforça a importância da diversidade: “A ciência exige persistência, mas também paixão. Apesar de ter sido historicamente um espaço masculino, a ciência está mudando. Ela precisa das mulheres, de seus olhares, experiências e vozes”.
Reconhecimento e incentivo institucional
A reitora Gisele Silveira Coelho Lopes observa que trajetórias como as de Giani e Júlia se complementam no ambiente universitário. “Enquanto Giani carrega no olhar a experiência de quem construiu caminhos e abriu portas, Julia traduz o presente em movimento, com a inquietação criativa de quem sonha e faz. São gerações que não se sobrepõem, se complementam”, finaliza.
Como ação prática de incentivo, a Unesc confirmou o lançamento da 4ª edição do Prêmio Mulheres na Ciência para o dia 8 de março. A premiação, criada em 2023, contempla pesquisadoras em três categorias: Iniciante, Intermediária e Plena, como forma de valorizar a produção feminina em todos os estágios da carreira acadêmica.












