A Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) registrou 39 espécies e 2.720 animais entre novembro de 2025 e julho de 2026 durante o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP), realizado no litoral Sul de Santa Catarina. Os dados foram apresentados na quarta-feira (12), em Criciúma, a representantes da Univali, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da empresa TGS.
A programação incluiu acompanhamento das equipes em campo, visita ao Museu de Zoologia da Unesc e uma reunião na Reitoria. Conforme a Universidade, a iniciativa reúne monitoramento da fauna, pesquisa, conservação, educação ambiental e formação acadêmica.
A Unesc é uma das instituições executoras do PMP-BP, programa que integra o licenciamento ambiental federal das atividades de pesquisa e aquisição de dados geológicos desenvolvidas pela TGS na Bacia de Pelotas.
A área monitorada pela Universidade se estende entre a Barra do Rio Araranguá e a Barra do Camacho. O trabalho envolve patrulhamento de praias, atendimento a animais encalhados, resgate de exemplares vivos e recolhimento de animais mortos.
As atividades de campo ocorrem de segunda a sexta-feira. Nos fins de semana, o atendimento também é feito a partir de acionamentos da comunidade e de órgãos ambientais.
Dados contribuem para conservação
A coordenadora do Museu de Zoologia da Unesc e do Setor B do projeto, Morgana Cirimbelli Gaidzinski, explicou que os registros permitem ampliar o conhecimento sobre a fauna marinha e investigar as circunstâncias envolvendo os animais encontrados no litoral.
“Quando encontramos um animal morto, buscamos compreender as possíveis causas da morte e, sempre que as condições permitem, esse material pode contribuir para o acervo científico. No caso dos animais encontrados vivos, é realizada uma avaliação criteriosa para verificar se necessitam de atendimento ou se podem permanecer na praia e retornar ao ambiente natural”, afirmou.
Os animais vivos podem receber atendimento veterinário ou permanecer sob monitoramento até apresentarem condições de retorno ao ambiente natural. Já os animais mortos podem passar por análises, incluindo necropsias, para auxiliar na identificação de possíveis causas de morte e na avaliação das condições ambientais.
Quando há condições adequadas, exemplares são encaminhados ao Museu de Zoologia da Unesc e incorporados ao acervo científico, servindo de apoio a pesquisas, atividades de ensino e ações de educação ambiental.
“Para nós, enquanto Museu de Zoologia, participar desse projeto representa também uma importante oportunidade de ampliar e qualificar o acervo científico, fortalecer a pesquisa e transformar as informações obtidas a partir desses animais em conhecimento que possa ser compartilhado com estudantes, pesquisadores e com toda a comunidade”, acrescentou Morgana.
A reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, destacou que os resultados também criam oportunidades para o ensino, a pesquisa e a extensão universitária.
“O compromisso está para além daquilo que se estabelece em uma prestação de serviços. A equipe da professora Morgana não faz apenas aquilo que é solicitado. Ela vai além”, declarou.
Programa faz parte do licenciamento ambiental
O coordenador-geral do PMP-BP e representante da Univali, André Barreto, informou que o trabalho integra o acompanhamento ambiental relacionado às atividades de prospecção sísmica na região.
“A Unesc realiza esse trabalho em parceria com outras instituições para avaliar o que acontece com os animais encontrados nas praias, já que ainda não sabemos se essas atividades podem provocar algum impacto sobre a fauna”, disse.
Segundo o analista ambiental da Diretoria de Licenciamento Ambiental do Ibama, André Favaretto Barbosa, o monitoramento de praias é uma das medidas previstas no licenciamento da TGS, empresa que atua na aquisição de dados geofísicos no oceano.
O programa monitora ocorrências com animais como baleias, tartarugas, aves, lobos-marinhos e leões-marinhos. Durante a visita, os representantes acompanharam o trabalho de campo, discutiram os dados levantados e avaliaram os resultados gerados nos primeiros meses da iniciativa.
O Museu de Zoologia da Unesc também recebeu novos espaços de apoio às equipes e para procedimentos de atendimento e análise dos animais. O projeto ainda mantém ações de comunicação e educação ambiental, como visitas mediadas ao acervo marinho, o Trilhas Profissionais da Bacia de Pelotas e o Pequenos Monitores de Praias da Bacia de Pelotas.
Para o consultor da TGS, Renan Canedo, o acompanhamento permite conhecer os dados obtidos e os impactos sociais gerados pelo trabalho. “Embora a pesquisa aconteça na praia, sabemos que a Unesc realiza, por meio do levantamento de dados, uma atividade solicitada pelo Ibama que gera uma grande contribuição para a sociedade”, afirmou.
















