A vacinação, o acompanhamento veterinário e a atenção às mudanças de comportamento são cuidados importantes para proteger a saúde de cães e gatos. Em entrevista ao Jornal Amorim Segunda Edição, da Rádio 102.9 Amorim FM, a médica veterinária Isadora Souza Miguel, da Petzen Clínica Veterinária, de Balneário Gaivota, destacou a importância da prevenção e alertou que muitos tutores ainda procuram atendimento apenas quando os animais já apresentam sinais de doença.
Segundo a profissional, consultas preventivas continuam pouco presentes na rotina de parte das famílias. Na experiência dela, a busca por atendimento costuma ocorrer quando o problema já está instalado.
“Infelizmente a prevenção, a consulta preventiva ainda é pouco procurada”, afirmou.
Isadora explicou que avaliações periódicas podem ajudar a identificar alterações e orientar o tratamento. A frequência das consultas e dos exames, conforme relatou, deve considerar a idade do animal e os resultados encontrados durante o acompanhamento.
Vacinação exige acompanhamento veterinário
Durante a entrevista, a veterinária ressaltou que as vacinas ajudam o organismo a produzir anticorpos contra doenças. Entre as enfermidades citadas estão cinomose, parvovirose, leptospirose e raiva, além de infecções que afetam os gatos, como rinotraqueíte e calicivirose.
A profissional também chamou a atenção para a leucemia felina, conhecida pela sigla FeLV. Segundo ela, casos de gatos positivos para a infecção têm aparecido na rotina de atendimento na região.
Isadora destacou que filhotes e adultos podem precisar de protocolos diferentes. O histórico de vacinação e eventuais atrasos devem ser avaliados pelo médico veterinário, responsável por orientar a continuidade do esquema.
Outro ponto abordado foi a aplicação de vacinas sem acompanhamento profissional. A entrevistada apontou o armazenamento inadequado e os erros de aplicação como riscos que podem comprometer o procedimento.
Falta de apetite e mudanças de comportamento merecem atenção
A perda de apetite, o isolamento, a redução da disposição, os episódios de vômito e a diarreia estão entre as alterações que, segundo Isadora, devem chamar a atenção dos tutores.
A veterinária explicou que os gatos podem demonstrar sinais de dor de maneira menos evidente. Por isso, observar a rotina e perceber comportamentos diferentes ajuda a reconhecer quando o animal precisa de avaliação.
Ela citou como exemplo um pet que costuma receber o tutor com entusiasmo, mas passa a permanecer quieto em um canto. A mudança pode indicar dor, incômodo ou desconforto.
Isadora também alertou para a demora em buscar atendimento quando o animal deixa de comer. Conforme relatou, há tutores que aguardam vários dias, mesmo diante da recusa persistente de alimento.
“Os tutores, eles ainda muitas vezes procuram tardiamente o serviço veterinário, pelo menos aqui na região”, declarou.
Medicamentos por conta própria podem agravar o quadro
O uso de remédios sem orientação veterinária foi outro alerta da entrevista. Segundo Isadora, medicamentos disponíveis em casa podem causar intoxicação, e doses inadequadas também representam risco.
A profissional explicou que uma tentativa de aliviar a dor pode acrescentar um novo problema ao quadro inicial. Nessas situações, o atendimento passa a envolver tanto a causa do desconforto quanto os efeitos do medicamento administrado.
“Às vezes, ao invés de ajudar, vai piorar mais ainda o quadro do animal”, afirmou.
Prevenção inclui alimentação e controle de parasitas
Além das vacinas, a veterinária destacou a importância de uma alimentação balanceada e apropriada para cada espécie. Segundo ela, o excesso de comida e a oferta frequente de alimentos da mesa dos tutores podem favorecer o ganho de peso.
O controle de pulgas, carrapatos e vermes também deve fazer parte do acompanhamento. Isadora explicou que a presença de parasitas no ambiente pode contribuir para novas infestações, mesmo quando eles não são percebidos no animal.
Sobre a vermifugação, a profissional ressaltou que a orientação depende do estilo de vida e das condições de exposição de cada pet. O acesso à rua e os passeios em diferentes ambientes são fatores considerados na definição dos cuidados.
Passeios e estímulos ajudam no bem-estar
A saúde dos animais também envolve oportunidades para brincar, explorar o ambiente e interagir com os tutores. Isadora destacou a importância do enriquecimento ambiental, especialmente para cães e gatos que passam parte do dia sozinhos.
No caso dos cães que vivem em apartamentos, a veterinária explicou que os passeios devem permitir caminhadas e momentos para farejar, além de atender às necessidades fisiológicas.
“É importante que o animal fareja o ambiente, o animal caminhe”, disse.
Segundo a profissional, essas atividades ajudam a gastar energia e fortalecem o vínculo com o tutor. Ao encerrar a entrevista, Isadora reforçou a importância de manter a vacinação em dia e incluir avaliações veterinárias na rotina de cuidados.












