A CPI do Crime Organizado retoma seus trabalhos no Senado Federal nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, com uma pauta extensa que inclui a votação de requerimentos relacionados ao Banco Master e o depoimento do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o “TH Joias”. A reunião deliberativa, marcada para o período pós-carnaval, deve analisar pedidos de convite aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além de membros do governo federal e executivos da instituição financeira. Conforme informações da Agência Senado, o objetivo é apurar possíveis conexões entre o sistema financeiro e organizações criminosas.
Investigação envolve familiares de ministros do Supremo
Um dos pontos centrais da pauta é a análise de requerimentos apresentados pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que solicita a oitiva de familiares dos magistrados. Girão busca ouvir a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, sob a justificativa de que ela teria mantido contrato de prestação de serviços de “elevado valor econômico” com o Banco Master.
Da mesma forma, há pedidos para convocar José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro Dias Toffoli. Ambos são sócios do magistrado em uma empresa que negociou a participação em um resort paranaense com fundos vinculados ao Banco Master. Até a última quinta-feira (12), Toffoli era o relator de um inquérito no STF sobre fraudes financeiras na referida instituição, cargo que passou a ser ocupado pelo ministro André Mendonça.
Transações em resort e convocação de autoridades do Executivo
A comissão também pretende aprofundar as investigações sobre o Tayayá Resort, no Paraná. Estão na pauta os requerimentos para as convocações do advogado Paulo Humberto Barbosa e de Mario Umberto Degani, primo de Dias Toffoli e fundador do empreendimento. A CPI busca esclarecer as transações imobiliárias que envolveram os donos do Banco Master e a família do ministro.
Além do Judiciário, a cúpula do Poder Executivo e do Banco Central está na mira dos parlamentares. Estão previstos convites para o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que atua no conselho consultivo do Banco Master, também é alvo de um pedido de depoimento.
Suspeitas de lavagem de dinheiro e o elo com o PCC
A atuação de sócios e diretores do Banco Master será objeto de deliberação. Senadores como Eduardo Girão e Marcos do Val (Podemos-ES) assinam pedidos de convocação para o controlador Daniel Vorcaro, o ex-CEO Augusto Ferreira Lima e outros diretores da instituição. A base para esses pedidos é a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo, que investiga se estruturas financeiras ligadas a Vorcaro foram utilizadas para lavagem de dinheiro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
No requerimento, o senador Marcos do Val destaca que o banqueiro Daniel Vorcaro detém 20,2% das ações da SAF do Atlético Mineiro via FIP Galo Forte. “A origem desses recursos já era alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo, no desdobramento da operação Carbono Oculto, que apura possível lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligados ao PCC”, afirma o parlamentar no documento.
Para embasar a investigação patrimonial, a CPI analisará a quebra de sigilos bancários do Banco Master de 2022 a 2026 e solicitou dados à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre aeronaves vinculadas a Vorcaro e suas empresas.
Depoimento de TH Joias abre os trabalhos
Antes das votações, a comissão ouvirá Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, atendendo a requerimento do relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O ex-deputado estadual foi preso em 2025 sob acusação de intermediar armamento para o Comando Vermelho e utilizar o comércio de joias para movimentar recursos ilícitos.
O relator defende que a oitiva é essencial para entender a infiltração criminosa no poder público. “O suposto uso de um negócio legítimo, como o comércio de joias, para lavar e movimentar milhões em nome dessas facções, é um ponto de interesse central para esta CPI”, argumenta Alessandro Vieira.












