Uma operação da Polícia Federal, realizada na terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, com o objetivo de investigar funcionários da Receita Federal suspeitos de vazar dados sigilosos de familiares de magistrados, instaurou um clima de desconfiança interna no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, mas a ausência de comunicação prévia aos seus colegas de tribunal gerou incômodo e estranhamento entre os membros da Corte. Conforme noticiado pela Revista Oeste, a falta de transparência sobre a investigação de acesso irregular a dados fiscais motivou queixas formais ao presidente do STF, Edson Fachin.
Questionamentos sobre a natureza da investigação
A decisão de Moraes determinou que a Receita Federal apurasse se cerca de cem pessoas tiveram seus dados acessados ilegalmente. No ambiente jurídico do tribunal, a medida foi interpretada como uma “fishing expedition”, termo que descreve buscas genéricas e sem alvos definidos na tentativa de encontrar provas eventuais. Segundo a Revista Oeste, essa prática, anteriormente criticada durante a Operação Lava Jato, volta a ser tema de debates nos bastidores do Supremo devido ao seu caráter abrangente.
Temores de uso de dados como proteção pessoal
Há uma preocupação latente entre os ministros de que as informações coletadas sobre seus familiares e sobre eles próprios possam ser utilizadas por Alexandre de Moraes como um mecanismo de proteção em face de investigações que o envolvam diretamente. Entre os pontos de tensão mencionados, destaca-se a situação da esposa do ministro, Viviane, relacionada a um contrato de R$ 130 milhões com o Banco Master que ainda carece de esclarecimentos. Parte do tribunal vê na conduta atual um reflexo do receio de Moraes em sofrer o “efeito Orloff”, sugerindo que as dificuldades enfrentadas por colegas hoje podem atingi-lo amanhã.
Histórico de tensões e vazamentos no tribunal
O episódio atual remete a conflitos recentes, como o vazamento de uma reunião sigilosa que resultou na saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Master. Naquela ocasião, um relatório da Polícia Federal apontou suspeitas contra Toffoli, incluindo o recebimento de R$ 35 milhões pela venda de um resort. A divulgação seletiva de transcrições de falas de ministros pelo portal Poder360 alimentou suspeitas de gravações internas e intensificou a crise de confiança que agora se agrava com a nova operação autorizada por Moraes.













