A Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) deu início oficial ao primeiro semestre letivo de 2026 nesta segunda-feira (23/2), em Criciúma. O retorno às aulas mobilizou uma comunidade de 19 mil acadêmicos, marcada pela pluralidade étnica e geográfica. O evento de acolhimento reforçou o papel da instituição como universidade comunitária e apresentou as metas pedagógicas e sociais para o novo ciclo, focadas na cultura de paz e no fortalecimento das relações humanas após o impacto histórico do distanciamento social.
Mosaico cultural e inclusão no campus
A diversidade regional é um dos traços distintivos deste início de semestre. Entre os estudantes que circulam pelo campus, histórias como a de Gisele Costa, acadêmica de Fisioterapia natural de Belém do Pará, exemplificam o alcance da instituição. Filha de pai descendente indígena, Gisele percorreu mais de 3,7 mil quilômetros em busca de formação. “Achei que estava muito distante, e agora estou na quinta fase e muito feliz”, afirma a estudante, que ingressou por meio do Programa de Equidade Racial.
A presença de diferentes sotaques e origens é uma constante. Vitor Saccon, natural de Criciúma, retornou à cidade após 15 anos vivendo em Fortaleza (CE) para cursar Odontologia na Unesc. Segundo ele, a integração com o mercado é um diferencial: “Sempre fui muito bem recebido aqui e os projetos de extensão nos inserem no mundo do trabalho”. Já Liliane Fernandes, do povo indígena Apurinã, vinda do interior do Amazonas, encontrou na universidade a oportunidade de unir identidade e formação superior. “Minha escolha pela Unesc aconteceu antes mesmo da bolsa. Já ouvia falar da Universidade há 13 anos”, relata Liliane.
Gestão democrática e expansão institucional
Conforme informações da assessoria da Unesc, a centralidade do estudante orienta o projeto educacional. A reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes, destaca que a instituição se mantém aberta ao diálogo direto com os alunos. “Somos parte de uma Instituição amplamente democrática, pautada pelo diálogo. A Universidade Comunitária pertence à sociedade e deve permanecer aberta às múltiplas vozes que a constituem”, enfatiza a reitora, pontuando que o ciclo de 2026 exige um reaprendizado de convivência diante das novas tecnologias.
A trajetória de crescimento da universidade foi detalhada pela reitora licenciada e atual secretária de Estado da Educação, Luciane Bisognin Ceretta. Ela recorda que, em 2017, o corpo discente era de aproximadamente oito mil estudantes, saltando para os atuais 19 mil. “É uma trajetória construída ao lado de muitas pessoas. Cada matrícula representa não apenas um número, mas um projeto de vida que se entrelaça ao desenvolvimento regional”, ressalta Luciane.
Impacto social e assistência à comunidade
Os indicadores de 2025 demonstram a inserção territorial da Unesc. Na área da Saúde, foram realizados 252 mil atendimentos gratuitos à população. No âmbito jurídico, as Clínicas de Direito Humano ultrapassaram a marca de sete mil acolhimentos. Além disso, a formação continuada de professores da rede básica somou 256 horas de capacitação técnica.
Para garantir a permanência desses estudantes, programas de bolsas e apoio psicossocial são fundamentais. Antoniel Costa, acadêmico de Direito, destaca o papel do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros, Indígenas e de Minorias (Neabi). “Quando entrei, fui abraçado. A equidade se materializa no campus. O ingresso facilitado de negros, indígenas e pardos amplia a representatividade”, afirma. No mesmo curso, a bolsista do programa Universidade Gratuita, Giovana Rezende, assumiu recentemente a presidência do Centro Acadêmico, reforçando o protagonismo estudantil.
Excelência acadêmica e pesquisa científica
A pró-reitora de Ensino, Graziela Giacomazzo, reforça que a Graduação Multi é um projeto em constante evolução, com foco na experiência prática desde o início do curso. “O número de mestres, doutores e pesquisadores cresce; ampliamos laboratórios; estruturamos currículos voltados à experiência teórica e prática”, explica.
No campo da investigação científica, a universidade mantém parcerias com agências como Capes, CNPq e Fapesc. A acadêmica Camila da Costa, que atua na iniciação científica em Fisioterapia, destaca a importância da pesquisa voltada ao reparo de lesões pulmonares. Segundo a diretora de Pesquisa, Sabrina Arcaro, o reconhecimento nacional e internacional das pesquisas consolida o patamar científico da Unesc, transformando o conhecimento gerado em benefícios diretos para a sociedade.













