Um relatório de auditoria revelado nesta terça-feira, 21 de abril, aponta que os empresários Adalberto Valadão Júnior e Leonardo Ávila atuaram como intermediários para o Banco Master na aquisição de ações do Banco de Brasília (BRB), em operações estruturadas para dificultar o rastreamento por órgãos reguladores. Conforme publicado pela Revista Oeste, com informações originais do portal Metrópoles, o documento elaborado pelo escritório Machado Meyer e pela consultoria Kroll detalha um esquema que utilizava “laranjas” e estruturas pulverizadas para evitar a fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central (Bacen).
Esquema utilizou múltiplas camadas de pessoas físicas
A investigação, que consta em processo na 13ª Vara Cível de Brasília, descreve o uso sistemático de diversas camadas de fundos e pessoas interpostas. Segundo o escritório Machado Meyer, o objetivo era garantir o “uso sistemático de estruturas pulverizadas, pessoas interpostas e ‘laranjas’ para dificultar a rastreabilidade perante os entes reguladores e fiscalizadores”.
Um dos episódios centrais envolveu Leonardo Ávila, dono da Faenge, que vendeu ações ao fundo Borneo, gerido pela Reag, passando a ser sócio do BRB em julho de 2024. A operação, que somou R$ 129,9 milhões entre recibos de ações ordinárias e preferenciais, teria sido intermediada pelo então presidente do banco, Paulo Henrique Costa. O relatório menciona ainda que os empresários e o então presidente do BRB participaram juntos de um evento em Nova York, no Harvard Club.
Defesas negam benefícios financeiros em operações
Os citados no relatório de auditoria interna contestam as conclusões do documento e afirmam que as transações ocorreram dentro da legalidade. A defesa de Adalberto Valadão Júnior declarou que “as informações apresentadas na referida petição não correspondem à realidade dos fatos, uma vez que não houve qualquer ganho financeiro por parte de Adalberto na operação em questão”.
De forma semelhante, Leonardo Ávila afirmou, por meio de sua assessoria, que a transferência de direitos “foi gratuita e sem nenhum benefício pessoal”. O empresário reforçou ainda que, além do processo de subscrição, “não há vínculo comercial, profissional ou de serviços com a Reag”. As informações prestadas pelos empresários já teriam sido encaminhadas diretamente à equipe responsável pela auditoria interna do Banco de Brasília.










