A Escola de Comunicação Criativa (Ecocria) da Unesc realizou, na última segunda-feira (27), o primeiro encontro do Clube de Repertório, projeto voltado a estudantes de Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Comunicação Digital, com o objetivo de ampliar a formação cultural, crítica e criativa dos futuros profissionais da comunicação. A iniciativa reuniu 25 participantes e busca fortalecer a construção de narrativas com mais propósito e sensibilidade social, segundo informações da Unesc.
Projeto propõe imersão para além da técnica
Criado a partir da disciplina de Criação Publicitária, sob responsabilidade da professora Julia Hahn Gonçalves, o Clube de Repertório prevê encontros trimestrais entre os períodos letivos, nos meses de abril, julho e outubro. A proposta é oferecer aos acadêmicos uma pausa na rotina voltada a ferramentas, softwares e métricas, estimulando o contato com referências culturais e humanas.
De acordo com o coordenador dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Comunicação Digital da Unesc, professor Marcos Dalmoro, o projeto funciona como uma imersão em contextos culturais com curadoria humana, sem depender da lógica dos algoritmos.
Segundo ele, a iniciativa busca ampliar a bagagem dos estudantes para a criação de campanhas, reportagens e conteúdos midiáticos conectados à realidade social e à identidade humana.
Primeiro encontro abordou legado de Ilon Specht
No encontro de estreia, o professor Lucas Damásio conduziu a atividade a partir do documentário “The True Story of the Iconic Tagline ‘Because I’m Worth It.’ | The Final Copy of Ilon Specht”. A produção apresenta a trajetória da redatora Ilon Specht, da agência McCann Erickson, responsável por criar, em 1971, o slogan da L’Oréal que marcou a publicidade mundial.
A discussão teve como foco o impacto do texto publicitário e a construção de legados por meio da comunicação. “O Lucas trabalhou a linha do legado. Como ela, mesmo sendo publicitária, conseguiu deixar algo para o mundo que as pessoas realmente precisavam naquele momento, a afirmação da própria autoestima”, relatou a professora Julia Hahn Gonçalves.
Após a exibição, os participantes foram convidados a refletir sobre suas próprias trajetórias por meio da ferramenta Ikigai, conceito japonês relacionado ao propósito de vida e à intersecção entre o que se ama, o que se sabe fazer, o que o mundo precisa e pelo que se pode ser remunerado.
Estudantes colaboram com construção do projeto
O caráter colaborativo também marcou a primeira edição do clube. Conforme Marcos Dalmoro, uma estudante com experiência em design gráfico se voluntariou para desenvolver a identidade visual do projeto durante o encontro.
A atividade também deu início à consolidação de uma plataforma de compartilhamento de insights, criada pela acadêmica de Comunicação Digital Vitória Zandonadi. O espaço funcionará como repositório para organizar referências e repertórios úteis à produção de conteúdos.
“O maior desafio foi entender a plataforma do Data Studio da Google, por meio da qual organizamos a demanda. Inicialmente trabalhamos com os temas mais universais de necessidades de repertório. Às vezes fica bem difícil achar repertório para colocar em posts para os clientes, hoje em dia é tanta informação que a gente se perde fácil. E o repositório tem esse viés de organização”, destacou a estudante.
Comunicação humana é foco da iniciativa
Para Marcos Dalmoro, o Clube de Repertório se soma às estratégias pedagógicas da Ecocria ao aproximar técnica profissional e sensibilidade humana.
“O projeto materializa a capacidade de unir a técnica do profissional de comunicação com uma sensibilidade humana aguçada. Em um mundo mediado por algoritmos, o que nos diferencia é justamente o repertório que carregamos. Ver os estudantes buscando mais, mostra que estamos formando profissionais preparados para estar à frente das transformações sociais no mundo real”, afirmou o professor.
A estudante de Publicidade e Propaganda Isis Pagnan avaliou que a iniciativa contribui para ampliar referências fora do ambiente habitual das redes sociais. “Trazer assuntos que nem sempre estão na nossa bolha é uma boa forma de fazer a gente refletir na hora que cria, principalmente quando são conteúdos de qualidade. Assim, não ficamos presos a redes sociais quando queremos buscar algo diferente”, destacou.
Já a acadêmica de Comunicação Digital Julia Elias afirmou que se surpreendeu positivamente com a dinâmica. “Eu imaginei que seria um grupo de debate sobre algum tema, mas foi, de fato, uma aula guiada. Gostei muito mais desse formato e me senti mais à vontade. Os colegas com quem interagi também foram super descontraídos. Adorei”, avaliou.
O próximo encontro do Clube de Repertório está previsto para julho e contará com a participação de outro professor da Escola de Comunicação Criativa da Unesc.













