EconomiaExportações de SC recuam após queda nas vendas aos EUA

Exportações de SC recuam após queda nas vendas aos EUA

As exportações de Santa Catarina registraram leve recuo de 0,2% entre janeiro e abril de 2026, somando US$ 3,86 bilhões, em comparação com o mesmo período de 2025. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (12), em Florianópolis, pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), e reflete, em parte, o impacto das tarifas norte-americanas sobre produtos catarinenses vendidos ao exterior.

De acordo com dados compilados pelo Observatório FIESC, as vendas para os Estados Unidos, um dos principais destinos das exportações catarinenses, caíram 39% no acumulado do ano até abril. A retração ocorre após medidas tarifárias anunciadas pelo país a partir de abril de 2025, incluindo uma taxação global de 10% e cobranças adicionais aplicadas a diferentes parceiros comerciais, entre eles o Brasil.

Tarifas pressionam vendas externas

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, afirmou que o desempenho praticamente estável das exportações catarinenses ainda está relacionado às restrições impostas pelo mercado norte-americano.

“O desempenho praticamente estável das vendas externas catarinenses entre janeiro e abril ainda reflete tarifas norte-americanas em vigor para muitos produtos catarinenses, afetados não só pelas taxação global, mas também por outros mecanismos legais, como a seção 232”, explicou Seleme.

Entre os setores mais impactados pela queda nas vendas aos Estados Unidos estão madeira, móveis, obras de carpintaria, partes de motor e compressores de ar.

Carnes seguem liderando a pauta exportadora

As carnes de aves permaneceram na liderança da pauta exportadora catarinense no acumulado de janeiro a abril. O setor movimentou US$ 856,2 milhões, com crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A carne suína aparece na sequência, com US$ 576,1 milhões exportados e alta de 6%. As vendas externas de motores elétricos somaram US$ 195,7 milhões, avanço de 9,7%. A soja também teve desempenho positivo, com crescimento de 33,8% e US$ 164 milhões exportados.

Outros destaques de crescimento foram as exportações de máquinas agrícolas, com alta de 40,5%, e de transformadores elétricos, que avançaram 34%.

Setores com retração

Apesar do desempenho positivo de alguns segmentos, parte da pauta exportadora registrou queda no período. As vendas de madeira serrada recuaram 2,5%, somando US$ 125 milhões.

As exportações de partes de motor caíram 17,6%, para US$ 111 milhões. Também houve retração nas vendas de obras de carpintaria para construções, com queda de 36,1%, outros móveis, com baixa de 33,7%, e compressores de ar, que recuaram 32,4%.

China lidera destinos das exportações

A China foi o principal destino dos produtos catarinenses entre janeiro e abril de 2026. O país comprou US$ 406,7 milhões em mercadorias de Santa Catarina, crescimento de 7,2% em relação ao mesmo período de 2025.

O Japão também ampliou as compras, com alta de 42,2%, chegando a US$ 309,6 milhões. Segundo a FIESC, o resultado foi impulsionado principalmente pelas exportações de carne suína. O México registrou crescimento de 11,6%, totalizando US$ 209,6 milhões.

Por outro lado, as exportações para os Estados Unidos recuaram 39%. As vendas para a Argentina também caíram 12%, somando US$ 259,4 milhões no período.

Importações crescem em Santa Catarina

As importações catarinenses cresceram 4,8% no acumulado de janeiro a abril, alcançando US$ 11,9 bilhões. O cobre refinado continuou como o principal item comprado pelo estado no exterior, com US$ 594,9 milhões e alta de 34,9% frente ao mesmo intervalo de 2025.

As compras de partes e acessórios para veículos avançaram 18,4%, totalizando US$ 354,9 milhões. Já as importações de pneus de borracha cresceram 89%, chegando a US$ 334,1 milhões. Em sentido oposto, as aquisições de polímeros de etileno tiveram queda de 1,6%.

A China permaneceu como a principal origem das importações catarinenses, conforme os dados da FIESC. Mesmo com o cenário internacional mais restritivo, a entidade avalia que Santa Catarina mantém desempenho sustentado pela diversificação da pauta exportadora e pela ampliação de mercados internacionais.

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