EconomiaFIESC debate produtividade da indústria em Santa Catarina

FIESC debate produtividade da indústria em Santa Catarina

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) realizou, nesta terça-feira (9), em Florianópolis, a primeira reunião do Conselho Consultivo dos Institutos SENAI de Inovação e Tecnologia para discutir formas de melhorar a produtividade da indústria brasileira e ampliar a competitividade do setor produtivo catarinense por meio de investimentos em inovação, tecnologia e qualificação.

Investimentos buscam fortalecer a indústria

Conforme a Gerência de Comunicação da FIESC, o encontro reuniu representantes da indústria, da academia e de instituições parceiras. A reunião teve como foco os desafios enfrentados pelas empresas para incorporar novas tecnologias e aumentar a eficiência dos processos produtivos.

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, afirmou que os investimentos nos Institutos SENAI de Inovação e Tecnologia fazem parte da estratégia para acelerar a produtividade e ampliar a competitividade da indústria catarinense.

“Mais de R$600 milhões estão sendo investidos nos Institutos, principalmente em infraestrutura, equipamentos e ampliação da capacidade tecnológica, criando condições para que as empresas tenham acesso a tecnologias, serviços e competências alinhados aos desafios da indústria”, declarou Seleme.

Produtividade é apontada como prioridade

Para o diretor regional do SENAI/SC, Fabrizio Machado Pereira, a produtividade precisa ocupar posição central nas estratégias de desenvolvimento industrial. Segundo ele, a rede SENAI já conta com estruturas, tecnologias e competências que podem ser mais acessadas pelas empresas.

“Hoje, um dos principais desafios é contribuir para combater a baixa produtividade que enfrentamos em todos os setores da economia. Precisamos ampliar o acesso das empresas às competências, tecnologias e estruturas que já estão disponíveis na rede SENAI”, destacou.

O gerente executivo de Inovação e Tecnologia da FIESC, Mauricio Cappra Pauletti, apresentou dados sobre o desempenho produtivo do país. De acordo com ele, a produtividade brasileira corresponde a cerca de um quarto da registrada nos Estados Unidos e cresce em ritmo inferior ao observado em outras economias.

“A produtividade brasileira equivale a cerca de um quarto da registrada nos Estados Unidos e tem evoluído em ritmo inferior ao observado em outras economias. Embora Santa Catarina se destaque pela força da indústria, pela capacidade exportadora e pela geração de empregos, o Estado ainda enfrenta desafios relacionados ao aumento da produtividade, especialmente em setores intensivos em mão de obra”, frisou.

Tecnologia é vista como caminho para competitividade

Durante a reunião, também foi debatida a escassez de trabalhadores, apontada como uma das principais preocupações das empresas. Para Pauletti, a adoção de tecnologias pode ajudar a enfrentar esse cenário, desde que esteja ligada à melhoria dos processos e à qualificação profissional.

“A tecnologia é um meio, não um fim. Quando bem aplicada, ela ajuda a enfrentar a escassez de mão de obra, aumenta a produtividade e cria oportunidades de empregos mais qualificados e de maior valor agregado”, afirmou.

Entre os obstáculos citados para a adoção de tecnologias estão barreiras culturais, dificuldades de capacitação, limitações de investimento e desafios na modernização dos processos produtivos. Por outro lado, o Conselho apontou oportunidades no avanço da automação, da robótica, da inteligência artificial e da transformação digital em atividades repetitivas, perigosas ou de baixa atratividade.

Projetos mostram aplicação da inovação

A reunião também apresentou casos de inovação aplicada à indústria com apoio dos Institutos do SENAI/SC. Entre eles está o BrasSat, programa voltado ao fortalecimento da participação da indústria nacional na economia espacial, com desenvolvimento de satélites e aplicações de inteligência artificial.

Outro projeto destacado foi o MagBras, que busca consolidar no Brasil o ciclo completo de produção de superímãs de terras raras. A iniciativa tem como objetivo reduzir a dependência tecnológica externa em uma área considerada estratégica para a indústria.

Também foram detalhados investimentos na ampliação da infraestrutura dos Institutos em Chapecó e Blumenau. As estruturas devem reforçar o atendimento aos setores de alimentos e bebidas, têxtil e vestuário.

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