Solteiros podem sentir comparação, frustração e ansiedade com a proximidade do Dia dos Namorados, especialmente diante da exposição de casais nas redes sociais, conforme explicou a psicóloga Suzel Ramos durante entrevista ao podcast Check Up, da Rádio Unesc, nesta quinta-feira (11), em Criciúma. O tema foi abordado em razão da data comemorativa, celebrada nesta sexta-feira (12), que pode despertar sentimentos diferentes em pessoas que não estão em um relacionamento.
Data pode despertar comparação e frustração
Durante a entrevista, Suzel afirmou que o Dia dos Namorados, embora tenha forte apelo comercial, também carrega símbolos ligados ao romantismo, ao afeto e ao desejo de estar em uma relação.
“Por mais que ela seja uma data comercial, a gente cria símbolos”, explicou. Segundo a psicóloga, esse contexto pode despertar carência em algumas pessoas solteiras, especialmente naquelas que desejam viver um relacionamento.
A profissional também destacou que as redes sociais intensificam esse processo, já que mostram recortes da vida das pessoas. “As redes sociais, ela acaba sendo um espaço de recorte da vida”, disse. Para Suzel, ao ver publicações de casais, algumas pessoas podem sentir frustração por ainda não terem encontrado um parceiro ou parceira.
“Quando você deseja um namoro, quando você quer estar numa relação e você não conseguiu chegar nisso ainda, vivenciar essa data nas redes sociais ou até mesmo nos restaurantes, enfim, pode criar um sentimento de frustração”, afirmou.
Diferença entre estar sozinho e sentir solidão
A psicóloga também explicou que há diferença entre escolher estar sozinho e sofrer com a solidão. De acordo com Suzel, estar sozinho pode ser uma escolha saudável, quando a pessoa reconhece a própria individualidade e entende que um relacionamento deve complementar a vida, e não preenchê-la totalmente.
“Estar sozinho é uma escolha e entender que está tudo bem, você se reconhece, você entende que o relacionamento não está ali para te preencher”, pontuou.
Já a solidão, segundo ela, aparece quando a ausência do outro passa a incomodar de forma intensa. “A solidão é essa necessidade intrínseca do outro, essa necessidade que começa a te incomodar estar sozinho”, explicou.
Suzel reforçou que relações amorosas devem fazer parte da vida, mas não ocupar todo o espaço da identidade pessoal. “As relações amorosas precisam fazer parte da tua vida e não ser a sua vida”, afirmou.
Pressão social ainda pesa sobre solteiros
Outro ponto abordado na entrevista foi a pressão cultural para casar, namorar ou formar uma família. Conforme a psicóloga, a sociedade ainda associa, em muitos casos, o sucesso pessoal à construção de uma vida familiar tradicional.
“A gente nasce já ouvindo falar que a gente precisa casar, que a gente precisa ter filho, como se a gente vencer na vida, a gente ter um bom emprego, ter uma boa casa e ter uma boa família”, observou.
Ela também citou expressões usadas de forma comum, mas que podem reforçar cobranças sociais. “Quando a gente vê… Vocês já ouviram a frase solteirona, solteirão, né? Olha como isso começa a interferir na tua própria identidade”, disse.
Para Suzel, perguntas feitas em reuniões familiares ou datas comemorativas, mesmo em tom de brincadeira, podem se tornar uma forma de pressão. “Às vezes, acho que é brincadeirinha, piadinha familiar, não é. Passa a ser algo sutil”, afirmou.
Comparação deve ser evitada
Para quem sofre emocionalmente com a data, a principal orientação da psicóloga é evitar comparações. Segundo ela, relacionamentos não seguem prazos e dependem de diversos fatores emocionais, sociais e pessoais.
“O primeiro passo é não se comparar com o outro, com outros casais, com as pessoas que se relacionam, porque isso é sobre a vida deles”, orientou.
Suzel também ressaltou que quem deseja namorar precisa estar aberto a conhecer pessoas e frequentar ambientes compatíveis com o tipo de relação que busca. “Quando a gente tem uma intenção de se relacionar com o outro, a gente precisa estar em ambientes para conhecer o outro”, disse.
Ela acrescentou que uma relação saudável exige tempo, disposição, diálogo e clareza sobre limites. “Namorar requer tempo, disposição. Você precisa de tempo para se relacionar. Disposição para enfrentar as adversidades dentro dessa relação”, afirmou.
Amor não correspondido e términos exigem cuidado emocional
Durante o programa, Suzel também respondeu perguntas de ouvintes sobre amor não correspondido e términos recentes. Segundo ela, a frustração por não ser correspondido deve ser reconhecida, sem responsabilizar a outra pessoa.
“As pessoas têm o direito de não gostar da gente, de não se apaixonar pela gente”, afirmou. “É lidar com a frustração, não existe um segredo pra isso, não existe como pular essa fase”, completou.
Sobre quem terminou um relacionamento recentemente, a psicóloga alertou que datas comemorativas podem aumentar a vulnerabilidade emocional. “Dia dos Namorados, pra quem recém terminou, pode até causar uma recaída na relação”, disse.
Ela explicou que sentimentos como saudade e carência podem aparecer com mais intensidade, mas é importante lembrar os motivos que levaram ao fim da relação. “A saudade é normal. A saudade significa, dependendo, que aquilo que tu passou foi bom”, afirmou.
Autocuidado pode ajudar na autoestima
Para fortalecer a autoestima, a psicóloga indicou atitudes simples de autocuidado, como praticar exercícios, cuidar da aparência, alimentar-se bem e estar com amigos.
“O autocuidado é sempre importante, comer uma comidinha gostosa, fazer um exercício físico, tomar um banho relaxante, botar uma roupa bonita”, orientou.
Suzel também reforçou que o amor próprio não deve ser confundido com egoísmo. “Amor próprio não é narcisismo, não é egoísmo, é sobrevivência”, afirmou.
Segundo ela, quando a pessoa se prioriza emocionalmente, passa a reconhecer melhor os próprios limites e evita aceitar relações que não fazem bem. “Quando você se ama, se prioriza, primeiro que você se protege emocionalmente”, concluiu.












