EconomiaVenezuela, Irã, Cuba e Coreia do Norte lideram inflação

Venezuela, Irã, Cuba e Coreia do Norte lideram inflação

Venezuela, Irã, Cuba e Coreia do Norte aparecem entre os países com inflação mais alta do mundo em levantamento divulgado nesta segunda-feira (15), com destaque para a perda de poder de compra da população e a pressão sobre produtos básicos. Segundo a Revista Oeste, os dados constam em estudo do economista norte-americano Steve Hanke, da Universidade Johns Hopkins, que utiliza a taxa de câmbio paralela para estimar a inflação em países com estatísticas limitadas ou consideradas pouco confiáveis.

Ranking global de inflação

De acordo com o levantamento, a Venezuela lidera a lista mundial, com inflação anual estimada em 574%. Em seguida aparecem o Irã, com 115%, Cuba, com 66%, e a Coreia do Norte, com 22%.

A metodologia usada por Hanke difere da adotada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O cálculo considera o comportamento do câmbio paralelo como referência para medir a alta de preços em economias onde os dados oficiais podem não refletir integralmente a realidade do mercado.

Cuba enfrenta alta de preços e crise energética

Em Cuba, a inflação ocorre em meio a uma crise energética e à deterioração de indicadores econômicos. Conforme a Revista Oeste, dados da Oficina Nacional de Estatística e Informação (Onei), citados pelo portal 14ymedio, apontam que o índice de preços ao consumidor acumulou alta de 9,16% nos cinco primeiros meses de 2026. Na comparação com maio do ano passado, a inflação chegou a 15,89%.

O cenário é agravado pela desvalorização do peso cubano. Segundo o estudo de Hanke, a moeda do país perdeu cerca de 40% de seu valor nos últimos 12 meses, o que encarece produtos básicos e reduz a capacidade de compra da população.

Alimentos básicos ficam mais caros

A alta dos preços atinge itens essenciais. O leite em pó, por exemplo, custava cerca de 2 mil pesos por quilo no início de abril. No fim de maio, o valor havia subido para 2,4 mil pesos e, no começo de junho, chegou a 3,2 mil pesos por quilo.

O produto está entre os itens com escassez no país, afetando inclusive a distribuição destinada a crianças. Autoridades cubanas atribuem parte do problema à interrupção de operações de companhias marítimas, que temem sanções dos Estados Unidos, além da falta de combustível.

Outros alimentos também registraram aumentos. O café teve alta de 7,7% em maio, segundo dados oficiais. Em alguns mercados acompanhados pela imprensa local, o produto passou de 600 pesos para 850 pesos em poucas semanas.

O açúcar, historicamente ligado à economia cubana, também ficou mais caro. A libra passou de 320 pesos no fim de abril para 450 pesos no início de junho. Farinha, sal e diferentes tipos de carne tiveram reajustes entre 2,5% e 9% no último levantamento.

Transporte e câmbio pressionam orçamento

Além dos alimentos, o transporte também pesa no orçamento das famílias cubanas. Segundo os dados oficiais citados pela Revista Oeste, o setor acumulou aumento de 21,7% em um ano.

No mercado informal de câmbio, usado como base no estudo de Hanke, o dólar já supera 640 pesos, enquanto o euro se aproxima de 730 pesos. A desvalorização dificulta a preservação do poder de compra e amplia o impacto da inflação no cotidiano da população.

Especialistas apontam que a combinação entre desvalorização cambial, escassez de produtos, crise energética e dificuldades de importação mantém a pressão sobre os preços, sem sinais claros de reversão no curto prazo.

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