O governo brasileiro avalia que a imposição de tarifas extras pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais está inserida em um contexto político ligado às eleições presidenciais brasileiras de 2026. As negociações entre os dois países continuam em busca de um acordo antes do prazo final, marcado para 15 de julho, com o objetivo de evitar a aplicação das novas taxas.
As conversas entre Brasil e Estados Unidos seguem em andamento, enquanto o governo brasileiro tenta demonstrar que um entendimento comercial é mais vantajoso para ambas as partes do que a adoção das tarifas adicionais de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A recomendação para a medida partiu do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Na última quarta-feira (24), o Ministério das Relações Exteriores publicou nas redes sociais que a decisão norte-americana teria origem em uma tentativa de interferência externa na Justiça brasileira. A pasta também informou que mantém diálogo pelos canais diplomáticos para defender que as políticas adotadas pelo Brasil não prejudicam o comércio bilateral.
Nesta sexta-feira (26), durante evento sobre o acordo Mercosul-União Europeia, em São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, nas tratativas envolvendo as tarifas. Segundo Alckmin, houve atuação contrária aos interesses do país.
Segundo a Agência Brasil, o prazo para uma definição sobre a aplicação das tarifas termina em 15 de julho. Até lá, representantes brasileiros e integrantes da Casa Branca mantêm reuniões na tentativa de construir um consenso, embora o governo reconheça que a negociação é considerada difícil.
Nos bastidores, integrantes da equipe brasileira entendem que a proximidade das eleições presidenciais pode influenciar a posição do governo norte-americano. A avaliação é de que um eventual acordo favorável ao Brasil poderia ser interpretado como benefício político ao governo brasileiro.
A percepção também considera a nova estratégia de segurança nacional apresentada pelo governo Donald Trump, em dezembro de 2025, que estabelece como prioridade ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina e reduzir a presença de outros atores internacionais na região.
Nesta semana, Donald Trump compartilhou um artigo que aponta as eleições brasileiras como um dos principais testes da política externa norte-americana na América Latina, defendendo que uma mudança no comando do governo brasileiro atenderia aos interesses da Casa Branca.
Entenda o caso
A recomendação para aplicar tarifas ao Brasil foi resultado de uma investigação conduzida pela USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O órgão sustenta que o Brasil adota práticas consideradas desleais nas relações comerciais, incluindo críticas ao sistema de pagamentos Pix.
O governo brasileiro rejeita os argumentos, classificando a medida como uma tentativa de ingerência em assuntos internos e de protecionismo comercial. Brasília também afirma que a tarifa média aplicada sobre produtos norte-americanos é de aproximadamente 2,7%, percentual que, segundo o governo, não justificaria as alegações de prejuízo às empresas dos Estados Unidos.












