A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) iniciou, nesta segunda-feira, 29 de junho, o seminário “Educação na China – 1980-2050: Do Mundo Rural ao da Ciência e Tecnologia”, em Florianópolis. O evento presencial segue até sexta-feira, 3 de julho, no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, dentro do Palácio Barriga Verde. A iniciativa busca debater as transformações no sistema de ensino da nação asiática e serve de subsídio para o planejamento de políticas públicas no cenário brasileiro.
A programação é promovida pelo Parlamento catarinense em parceria com a Escola do Legislativo, por meio do Núcleo de Inovação, Pesquisa e Projetos (NIPP). A liderança do projeto é da deputada estadual Luciane Carminatti (PT). Conforme as informações divulgadas pela Agência Alesc, as atividades reúnem gestores públicos, educadores, pesquisadores e estudantes locais.
Trajetória do modelo asiático
Toda a carga cronológica de debates e painéis é conduzida pelo pesquisador, escritor e especialista em China, Milton Pomar. O profissional acompanha as dinâmicas sociais e econômicas do país asiático desde sua primeira visita, realizada em 1997. De acordo com os dados apresentados pelo especialista no evento, o planejamento estatal unificado e a expansão do ensino foram fundamentais para retirar cerca de 800 milhões de pessoas da linha da pobreza nas últimas décadas.
Durante a abertura, Pomar reforçou que a herança cultural de quase cinco mil anos de história escrita funciona como um pilar de conhecimento acumulado. Esse fator impulsionou os setores de ciência e tecnologia muito além de descobertas clássicas conhecidas no Ocidente, como o papel e a pólvora.
Educação como projeto de Estado
O palestrante estabeleceu comparações diretas entre as realidades de investimento em capital humano da China e do Brasil, destacando a necessidade de encarar o setor pedagógico como uma engrenagem de desenvolvimento nacional estratégico, e não apenas como formação de mão de obra profissionalizante.
“Enquanto a China alcançou mais de 95% de alfabetização e possui cerca de 44 milhões de estudantes universitários, o Brasil ainda convive com aproximadamente 30% de analfabetismo funcional, índice que compromete o desenvolvimento econômico e social do país”, informou Pomar.
O pesquisador também relembrou a política de intercâmbio adotada pelo governo chinês desde o final da década de 1970. “Desde o fim da década de 1970, o país enviou mais de cinco milhões de estudantes ao exterior para cursos de graduação e pós-graduação, permitindo que esses profissionais retornassem com conhecimento e experiência para impulsionar o desenvolvimento nacional”, pontuou.
Descentralização e infraestrutura
Outro ponto focal transmitido pela cobertura da assessoria do parlamento tratou da interiorização dos investimentos. Assim como a sociedade brasileira, a população da China concentrava-se majoritariamente nas regiões litorâneas. A redução das disparidades regionais ocorreu com a transferência planejada de indústrias, universidades e recursos estruturais para as províncias do interior.
“A expansão da malha ferroviária de alta velocidade é um fator que facilitou o acesso à educação, ao trabalho e às atividades culturais”, completou o palestrante. Segundo a análise exposta, esse avanço logístico e tecnológico acelerado, somado à entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, consolidou o papel geopolítico atual da China.












