O artista Joélson Buggilla abriu, na terça-feira (4), a exposição “Objetos Cansados” na Sala Edi Balod, na Unesc, em Criciúma. A mostra, que integra uma pesquisa sobre o esgotamento de corpos e objetos, permanece aberta para visitação gratuita até 14 de agosto.
A abertura contou com uma conversa entre o artista, egresso do curso de Artes Visuais da universidade, e o escritor Felipe Moreno, responsável pelo texto crítico que acompanha os trabalhos apresentados.
Pesquisa investiga formas de esgotamento
A exposição faz parte da pesquisa “Cartografias do Cansaço”, desenvolvida por Buggilla desde 2022. O trabalho busca compreender as diferentes maneiras pelas quais corpos e objetos chegam ao esgotamento.
Na instalação, objetos retirados de suas funções habituais são colocados sobre espumas de diferentes alturas e espessuras. A disposição altera a percepção do público e sugere que os itens também estejam em repouso.
“Eu venho pesquisando formas de como as coisas ficam cansadas, principalmente o corpo. Que dispositivos fazem com que o corpo fique cansado? A questão da mulher na sociedade, a quantidade de tecnologia disponível, o que isso causa no sistema nervoso das pessoas. Eu vou tentando entender essas narrativas, essas possíveis causas”, explicou o artista.
Espuma provoca diferentes interpretações
O uso da espuma como suporte é um dos principais elementos da proposta. Segundo Felipe Moreno, o material pode transmitir tanto uma ideia de acolhimento quanto de tensão provocada pelo peso dos objetos.
“A espuma tem uma função de provocar essa disfunção dos objetos. Em um primeiro olhar, parece que ela é uma cama que acolhe. Mas ela também pode ser olhada como algo que não está acolhendo exatamente, está tensionando, sendo pressionada pelo peso do objeto. São muitas camadas possíveis de sentir e pensar nessa proposta”, afirmou o escritor.
Público pode colaborar com a instalação
A exposição também possui caráter colaborativo. Os visitantes podem entregar objetos pessoais para integrar temporariamente a instalação.
Os itens permanecerão em repouso durante o período da mostra e somente poderão ser retirados após o encerramento da exposição.
“Se a gente colocasse o seu celular em repouso aqui, o que aconteceria? Esse vão, esse espaço do que você vai fazer sem o seu material de trabalho, é justamente o que me interessa”, explicou Buggilla.












